terça-feira, 20 de julho de 2010

Lobos - Vinte

Mason Stanley

Meu grito ecoou pelo campo deserto. Mesmo assim, ninguém ouviu. Todos os outros partiram para seus lares. Exceto eu. Eu não podia ir. Não ainda.
Os corpos foram queimados. Perdemos muitos lobos e talvez nunca possamos recuperá-los. Em especial, uma vida. A mais preciosa. A vida da garota que eu amava.
Foi corajoso da parte dela. Se sacrificar pela matilha. Mas não acredito que ela se foi. “Não é real” fico repetindo, mas é real. E dói.
Depois que Kyla se matou, os orientais enlouqueceram e foram comer seu corpo. Aí eu me revoltei e matei um por um. Com minhas próprias mãos. Depois queimei os corpos dos que se foram e voltei para ver a garota que eu amava. Seus olhos estavam sem vida e seu peito estava aberto. O meu também estava, de certa forma. E essa ferida jamais desaparecerá.
E matar os malditos orientais não fez a dor sumir. Kyla está morta, assim como minha alma. Perdi a razão de viver quando ela se foi e não é fácil ser forte. Principalmente quando todos te olham com pena.
Fiz uma promessa à ela. Prometi que levaria suas coisas à sua família antes de voltar à Vancouver e é por isso que ainda não saí do Brasil. Se eu for, será real. E isso quer dizer que ela estará mesmo morta.
Mas eu prometi e irei cumprir. Coloquei seu colar em meu bolso e destruí o resto de suas coisas, junto com meu celular. Me transformei e comecei a correr. A viagem será mais rápida se eu pensar em algo divertido. E isto é difícil, mas quando sou lobo, me comunico com meus ancestrais que estão no mundo espiritual. E posso ouvir Kyla.
“Obrigada, Mase...” diz ela.
“De nada. Eu ainda estou bravo pelo que você fez.”
“Ora, Mase! Foi o certo.”
“Eu sei. Eu amo você, K.J.”
“Eu também, Mase. Pra sempre.”
Ela fica em silêncio, mas sinto sua presença pelo resto da viagem. Avisto a casa dela e volto à forma humana. Chego mais perto e bato na porta. A avó de Kyla abriu e eu contei a ela sobre a guerra. Ela desabou em prantos e entrou. Olho para dentro e vejo Josh, o irmão de Kyla. Tiro o colar do bolso e olho para ele, fitando o pingente.
Eu poderia entrar e colocar o colar em Josh e ele irá ser tomado pelo espírito alfa de Kyla e se transformará em lobo, assim como Jamie. Mas isso irá fazer dele um garoto sem vida e eu não quero isso para ele. Assim que eu entregar o colar a alguém da família de Kyla, eu irei para casa e nunca mais voltarei à matilha.
Como não quero ser culpado por tirar a oportunidade de uma vida normal, faço o quê Kyla faria. Largo o colar na maçaneta da porta e viro as costas para a casa. Ela ficará feliz ao saber que seu irmão terá uma vida normal. (a menos que ele coloque o colar)
Peço carona a um motorista de caminhão e digo que quero ir à Vancouver. Ele não pergunta nada sobre mim e volta a dirigir. E eu gostei disso.
Não sei se amarei outra pessoa depois de Kyla. Provavelmente não. Eu ainda a sinto comigo em dois casos: quando viro lobo ou quando o vento bate em meu rosto, com um uivo leve.
E esse último caso acontece bastante. E sinto que estamos juntos de novo.

Fim

Lobos - Dezenove

Meus lobos estavam perdendo e eu não podia fazer nada. Estávamos em desvantagem e os adversários se fortaleciam cada vez mais. Se eu não agisse logo, todos nós morreríamos. Aí tive um plano.
“Mase, eu... Tenho uma idéia! Podemos vencer.”
“O quê é?”
“Fique aqui! Eu já volto!”
“Não demore.”
Fiquei sob a forma humana e corri para as cabanas. Paul usara uma estaca para cortar meu cabelo, então ele devia ter mais por aí. Entrei em sua cabana e procurei por seu criado-mudo. Tirei as gavetas e vasculhei-as. Nada. Olhei embaixo da cama e as vi. Umas dez estacas.
Peguei-as e corri de volta para o campo de batalha. Estava tudo do mesmo jeito. Subi em uma árvore e gritei:
– Ei! Mason!
Ele olhou para mim e eu mostrei uma estaca. Todos entenderam a idéia e pularam, girando no ar, voltando à forma humana. Lancei as estacas e eles a pegaram no ar, habilidosamente.
Saltei da árvore e corri para ajudar meus lobos e isso reduziu o número à vinte e oito. Os outros orientais se revoltaram e ficaram sob a forma humana. Avançamos na direção deles e lutamos.
“Nunca deixe um oponente atrás de você!” a voz de Paul ecoou em minha mente e eu senti o espírito de Sara voltar. Mas dessa vez eu tinha controle sobre meu corpo. Saltei num oriental, derrubando-o no chão e, quando ia cravar a estava nele, fui pega pelas costas.
Rosnei, mordendo a mão do meu agressor, mas ele não afrouxou o abraço. Com a estaca na mão direita, fiz um corte no braço dele e fui solta. Corri para ajudar Anne (que, Deus, era pequena, mas habilidosa) a derrubar um dos inimigos.
– Muito bom. – elogiei, sorrindo.
– Obrigada, alfa. Kyla, atrás de você!
Fui pega de novo e dessa vez fui mais ágil. Saltei dois metros acima da cabeça de meu oponente, mas ele segurou minha perna. Gritei, distraindo meus lobos e dando vantagem aos inimigos. Caí no chão e o oriental riu.
– Até quando continuará lutando? Vai perder. – disse o oriental, em inglês.
E ele estava certo. Só elimináramos cinco oponentes e estávamos perdendo. Quanto mais lutávamos, mais cansados ficávamos e eles nos derrubavam. Isso não podia continuar. Eu precisava agir. Levantei-me do chão e chutei a barriga de meu adversário, soquei seu maxilar, soquei seu nariz e derrubei-o no chão. Com a estaca, cortei sua cabeça fora e o sangue jorrou. Dois dos orientais pararam e cheiraram o ar, lambendo os lábios. Franzi o nariz e lembrei-me do que Mason dissera. “Eles são totalmente carnívoros. Matam humanos e os comem” era tão nojento. Eles estavam agindo pelo sentido animal.
Foi aí que me ocorreu o modo de vencer. “Carnívoros” a palavra ecoou por minha mente. “Sangue. Matar. Comer” com a estaca, fiz um corte em meu braço e o sangue escorreu. Todos pararam a luta e olharam para mim. Nossos inimigos lamberam os lábios, famintos. Mason viu o quê eu planejava fazer.
– Kyla! Não!
– Desculpe, Mase. É o único jeito de ganharmos! – respondi.
– Nãããããão!
Ergui a estaca em direção a meu peito e fechei os olhos. Meus batimentos cardíacos aumentavam e a adrenalina jorrou em meu corpo. Se fosse para morrer, que seja por honra.
Ouvi os passos dos inimigos e aproximei a estaca de meu peito. Abri os olhos e lancei um último olhar à Mason. Essa seria a última vez que eu o veria. Pelo menos, nessa vida.
– Mase! – gritei – Eu te amo!
– Não faça isso! Por favor!
– Tarde demais. Desculpe.
Olhei para os inimigos se aproximando. Todos pararam por minha causa. Um sorriso escapa por meus lábios.
– Venham me pegar! – gritei.
E cravei a estaca em meu peito.

Lobos - Dezoito

Mason e eu corremos para avisar os outros. Corremos pela floresta toda e nos encontramos novamente no campo de batalha. Fiquei na frente da matilha, junto com Anne, Mike, Angel, Jamie, Jesse, Paul, Dean e Mason. Ouvi os passos – eram muitos – e olhei para frente, por entre as árvores. Lá estavam eles. Todos, exceto uma, em forma animal. A humana tinha cabelos castanhos, meio avermelhados, na altura dos cotovelos (saudades do meu cabelo...) e sua pele era bronzeada. Ela era Samantha Cohen.
– Cuidado com ela! – gritei – Mason, você e eu pegamos ela. Anne, Jamie e Jesse, vocês se concentram naqueles! – gesticulei para os lobos que estavam ao redor de Samantha – O resto de vocês tomem cuidado. Vão!
Saltamos e giramos no ar, nos transformando em explosões de calor. Os orientais correram em nossa direção e eu olhei para Mason.
“Concentre-se em Samantha! Não perca o foco! E não deixe o inimigo atrás de você!”
“Certo, alfa!”
Uivei, em sinal para meus lobos atacarem, e parti para a matilha inimiga. Samantha seria difícil de atacar, então saltei em cima de um lobo qualquer e cravei o maxilar em sua garganta. (obrigada, Paul! Sem seus treinos, já era a chance de vitória!)
“Mason, os do fundo!” alertei.
Ele rosnou e saltou para a última fileira de lobos e atacou os dez. rolou com eles pelo chão e bateu-os contra as poucas árvores que lá estavam. Cravou os dentes na garganta deles, um por um, e uivou. Mortos.
Larguei minha vítima morta e parti para as próximas. Meus lobos estavam se saindo bem. Haviam cinqüenta lobos mortos na floresta e apenas um de nosso grupo estava machucado.
“Eles deviam ter lutado mais. São fracos!” Mase bufou.
“Concentre-se em Samantha!”
Mas foi difícil. Mason foi atacado pelas costas por um lobo caramelo. Rosnei, furiosa, e saltei em cima dele, mas ele me lançou para longe.
“Ele está só brincando comigo para te distrair, Kyla! Pegue Samantha!”
“Não posso deixar você!”
“Agora! Me esqueça! Proteja os outros!”
me levantei e corri para ajudar meus lobos. Eles estavam em vantagem por sua habilidade e por número. Restavam menos de noventa lobos.
Samantha estava em cima de uma árvore. Ela não me viu chegar e isso foi um grande descuido. Saltei na árvore e a derrubei no chão. Giramos e eu caí em cima dela. Mordi sua perna – que era o alvo mais fácil – e ela gritou, rosnando. Ela era assustadora, mas fácil. Cravei os dentes em sua outra perna e a arrastei para longe de meus lobos. (ela estava na forma humana) Ela gritava muito. Sua perna estava com um corte enorme (feito por meus dentes) e o sangue jorrava.
“Alvo fácil, Kyla!” gritou Mase, lutando com o lobo que o atacara “A barriga dela! Morda a barriga e acabe com ela! Depressa!”
“Certo!”
Enquanto Samantha se contorcia de dor, eu mordi sua barriga, perfurando seu corpo. Ela gritou mais ainda e os lobos orientais se viraram para vê-la. Isso deu vantagem à meus lobos e eles atacaram. Voltei-me para Samantha e quebrei suas costelas, colocando-a em minhas costas e correndo para o rio. Atirei-a na água e seu corpo subiu. Morta.
E eu não vi uma coisa: Dean Howe fora atacado. E seu corpo estava jogado perto das cabanas. Engoli em seco e voltei para o campo de batalha. Haviam ainda quarenta lobos orientais e vinte americanos.
“Mason!” chamei “Estamos perdendo!”
“O quê?” ele jogou o lobo que estava lutando contra uma árvore e correu para meu lado “Como...”
“Eles... Nós perdemos muitos!”
“Não!” ele rosnou e pulou em outro lobo que estava próximo. Sua fúria estava evidente.
Pude contar os sobreviventes. Meus sobreviventes. Paul, Jesse, Anne, Jamie, Mike, Angel, Ralf, Catherine... Deus! Estávamos perdendo! Esses orientais mataram muitos de nós. Como eles conseguiram vencer?
“Eles ainda não venceram!” gritou Mase, com o corpo de outro lobo na boca “Vamos ganhar. Somos vinte e eles são trinta. Mas e daí? Podemos ganhar, Kyla!”
“Mason, eles...”
“Não desista! É isso que eles querem! Podemos vencer, Kyla! Só não desista!”
Ouvimos um ganido e vi Jesse mancando. Atrás dele, dois lobos se preparavam para atacá-lo. Quando fui ajudá-lo, vi Mason dilacerar o corpo do lobo que estava mais perto de Jesse. Corri para o mais distante e ataquei-o.
“Corra, Jesse!” ordenei “Não pode continuar!”
“Eu não vou desistir!” ele disse, arfando.
“Vamos lá, idiota! Faça o quê ela manda!” Mase ordenou.
E Jesse correu para a cabana. E ficou a salvo – diferente do resto de nós.

Lobos - Dezessete

Mason e eu saímos de sua cabana ao amanhecer. De mãos dadas. Estávamos tão felizes que parecia que nada nos abalaria. Até que Jamie Ozera apareceu na nossa frente.
– Kyla... Quer dizer, alfa, Paul quer vê-la.
– Certo. – olhei para Mason – Eu já volto.
– Vou contar os segundos.
Sorri e corri para a cabana de Paul. Não nos falávamos desde a cerimônia. E eu não sentia tanta falta dele como pensei. E isso era bom – muito bom.
Paul me serviu sanduíches quando entrei. Eu não comia há um tempo e a comida foi bem-vinda em meu estômago. Devorei uns três sanduíches de queijo – ele comprou na cidade mais próxima – e ele me olhou, sério.
– O quê houve?
– Preciso falar com você. Não é sobre a guerra, mas é de seu interesse.
– Fale logo, então.
– Eu não sou seu pai, Kyla.
– Oh! – revirei os olhos – Fez um exame de DNA? Que brilhante!
– Eu sei que está brava, mas preciso que me entenda. Não podemos ficar juntos, então eu menti.
– Ah, claro! Obrigada! Agora posso viver em paz!
Me virei e saí da cabana. Eu sei que fui uma vaca, mas foi preciso. Paul me magoou e eu queria magoá-lo da mesma forma. E eu me senti mais aliviada por saber a verdade. E eu ficaria com Mason. Seria feliz com ele. E será como se Paul nunca tivesse me beijado.
Avistei Mason encostado em sua cabana e corri para seus braços. Ele beijou meu cabelo e me olhou nos olhos. Ao ver seu olhar, resolvi contar à ele. Mas de meu ponto de vista – e de uma maneira errada.
– Mase! Você não vai acreditar no que Paul fez! – fiz uma voz de vítima.
– O quê? Te bateu?
– Não.
– Abraçou? – ele sorriu.
– Quase
– Bem, então... – ele parou de sorrir e fez um olhar sério – Não sei.
– Ele me beijou. A força. – menti. (bem, era quase verdade)
– Sério? – assenti e seu olhar ficou furioso – Aquele cretino! Eu sabia que ele olhava diferente para você, mas isso? Não vou tolerar. Vou acabar com ele!
Mas Mason não fez isso. Não porque mudou de idéia ou porque eu o impedi. Nenhuma dessas alternativas aconteceu. O que aconteceu foi Jamie correr até nós, assustado, e pegar nos ombros de Mason.
– Eles chegaram! Estão aqui! Chame os outros!
E Jamie não precisou dizer quem havia chegado.

Lobos - Dezesseis

Depois de uns tempos, liguei para vovó. Ela merecia saber sobre minha cerimônia. Quando ela atendeu, eu fui logo dizendo:
– Está falando com a nova alfa.
Ela ficou feliz e me parabenizou. Perguntou como foi e eu resumi a história toda. Depois ela perguntou quando eu voltaria para não casa e eu disse que não sabia. Enquanto não fosse resolvido o assunto da guerra, eu não voltaria.
– Sinto muito, vó. Preciso ir. Mande lembranças a Josh. E diga que eu o amo muito.
Desliguei e saí da cabana. Era a hora dos treinos. Todos lutaríamos para nos preparar para a guerra. Então eu poderia descontar a raiva que sentia em alguém.
E sobre Paul... Entendi que o que eu sentia por ele era apenas físico e que ele poderia mesmo ser meu pai. Então meu amor por ele seria amor de uma filha por um pai. Tudo resolvido!
Me surpreendi ao chegar no campo de batalha. Todos estavam sentados em um círculo e pareciam esperar por mim. Me sentei ao lado de Anne e esperei Paul começar.
– Tenho informações úteis para a batalha. Mason, por favor.
Mase se levantou e ficou na frente de todos. Ele olhou para mim e sorriu.
– Bem, como todos sabem, eu estive investigando o território com Jesse e descobrimos algumas... Coisas sobre os orientais. Eles são em cerca de duzentos e não sabem lutar tão bem. – pelo olhar dele, vi que ele experimentara – E são totalmente carnívoros. Eles matam humanos e... – ele engoliu em seco – Os comem.
Anne e eu nos entreolhamos e vi que ela estava tão nauseada quanto eu.
– E... Você quer dizer... De verdade?
– Não, Angel! – Mason bufou – Eles matam humanos de mentira.
– O quê mais? – gritou Anne.
– Eles não confiam tanto uns nos outros. São facilmente descontrolados e não têm... Estratégias. Eles querem mesmo massacrar nosso grupo. E então devemos treinar hoje. Dar o nosso melhor. Eles atacarão, no máximo, em cinco dias. Podemos morrer na luta e se fracassarmos eles tomarão controle de tudo. E eu sei que pareço um estraga prazeres, mas é verdade. E então? O que me dizem? Vamos lutar? Ou ficaremos parados, assistindo eles nos matarem?
– Luta! Luta! Luta! Luta! – gritaram todos, juntos.
– Isso mesmo! – um sorriso apareceu nos lábios de Mason.

Tive a chance de quebrar muitos narizes, mas eram meus amigos que lutavam comigo, então me controlei. Treinamos o dia todo e, à noite, Mason e eu fomos nadar no rio.
– Você daria um bom alfa, Mase. – comentei.
– Oh, yeah? – ele riu – Não. Eu seria péssimo.
– Seu discurso mexeu com todos.
– Sou bom com palavras.
– Certo. Mas eu acho que seria um bom líder.
– Valeu, mas não nasci para isso. Você é.
– Mase, eu...
– Ei, ei, ei! Você é a líder! Sem discussão.
– Tudo bem.
– E... Eu estive pensando... Esta pode ser nossa última noite juntos e...
– Nossa! Que pensamento otimista, Mase. – revirei os olhos.
– Não é isso. quis dizer outra coisa.
Ele saiu da água e foi para sua cabana. Curiosa, o segui. Ele estava deitado na cama. Seminu. Com um sorriso nos lábios.
– Ah, entendi!
– O quê acha?
Corri para seus braços e ele uivou baixinho. Começamos a nos beijar intensa e avidamente. Mason estava meio preocupado, mas tentou não demonstrar. Com a guerra perto, não sei como conseguimos nos entregar à paixão daquele jeito. Mas o fizemos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lobos - Quinze

– Como assim? Não vai me dizer?
– Não. É uma bobagem.
Ele ficou me olhando com uma expressão diferente. Pensei que fosse porque ele me achava bonita, mas percebi que ele olhava para o corte em meu pescoço. Mordi o lábio inferior e abaixei o olhar.
Senti a mão dele em meu rosto e ergui a cabeça. Ele estava a centímetros de mim. Seus lábios estavam tão perto... E aquela atração voltou. Se eu pelo menos tocasse naqueles lábios...
Paul fez isso por mim. Sua mãos seguraram meus ombros e seus lábios estavam nos meus. Mas não era um toque leve. Era um beijo urgente, furioso e quente. Nossas línguas estavam se tocando e meu corpo molhado estava colado ao corpo quente dele.
– Kyla...
Ele gemeu meu nome com paixão. Percorreu meu corpo com a mão e, quando eu ia fazer o mesmo, ele parou.
– Isso é errado.
– Por quê? Você não me quer?
– Eu quero. E por isso é errado.
– Não estou te entendendo. – choraminguei.
– Eu estou apaixonado por você, Johnson. Mas eu não me permito te amar.
– Por quê? – arfei, tristonha. Era a primeira vez que Paul me beijava de verdade – É pela diferença de idade? Porque, se for, quando eu fizer 21 anos, eu vou parar de envelhecer por uns tempos.
– Não. É porque eu posso ser seu pai.
– Como é?
– Eu tive um caso com sua mãe.
– Mas você... Você não pode ser meu pai. Só é alguns anos mais velho que eu e...
– Tenho mais de 21 anos. E, como você disse, lobos param de envelhecer aí.
Não, não, não, nãããããão! Ele não pode ser meu pai! NÃÃÃÃÃÃO! Ele me amava e eu o amava! Droga! E isso não ocorre! Não, não, não! Eu queria tanto estar naqueles braços, mas... Parecia errado.
Depois da surpresa e da tristeza, fui tomada pela raiva. Como ele faz isso desse jeito? Me beija e diz isso? Cretino! Um pai não faria isso!
– Então é isso? você me beija desse jeito e diz que é meu pai? O quê mais, hein? Abusou de mim todo esse tempo!
Rosnando, saí correndo de perto dele e fui tomada violentamente pelo ataque de hormônios. Me transformei em um salto e corri mais ainda. Precisava chegar em minha cabana. Precisava ligar para vovó. Precisava de Mason. Precisava sair de perto de Paul.
“Kyla, espera!”
“SAIA DA MINHA CABEÇA!” ordenei, furiosa. Não odiava tanto alguém assim há tempos. Nem o quê eu sentia por Nate era assim.
“Por favor, Kyla. Espere. Eu...”
“Não! Eu não quero ouvir. Eu odeio você!”
Continuei correndo e não me importei com o lobo negro atrás de mim. Eu só queria ficar longe daquele monstro! Não podia acreditar que ele me usara daquele jeito. Tentei chamar minha mãe para confirmar tudo, mas não podia chamá-la com raiva. E eu não queria ouvir que Paul era meu pai.

À noite, vesti um short jeans e um top preto. Vesti uma camisete preta por cima do top e soltei os cabelos. Paul disse que eu iria cortá-lo na altura dos ombros e isso me doía. Eu me acostumara a tê-los na altura dos cotovelos.
Ouvi o som de tambores e resolvi sair da cabana. Paul trouxera tambores da cidade para a cerimônia. Caminhei até o enorme circulo no interior da floresta e vi todos os outros sentados ao redor de uma fogueira. Vi Mason encostado à uma árvore e sorri para ele, indo a seu encontro.
– Você veio.
– Eu não perderia isso por nada. Alfa Johnson.
– Obrigada, Stanley.
Ele sorriu e beijou-me apaixonadamente. Depois fomos nos sentar ao redor da fogueira com os outros e esperamos começar. Primeiro, Mike Young (irmão gêmeo de Angel Young, a ruiva musculosa) seria nomeado o novo alfa. (ou mestre, como eles chamavam) E aí seria minha vez.
– Boa noite à todos. – disse Paul e os tambores pararam de bater neste exato momento – Hoje serão nomeados os dois novos alfas: Michael Young e Kyla Johnson.
Mike se levantou e os tambores voltaram a bater. Essa seria a primeira vez que eu veria um alfa ser nomeado. Dean surgiu atrás de seus lobos e tirou a camisa de Mike. Depois, Dean se transformou e Mike se abaixou, ficando com as costas nuas no focinho de Dean. Dean lambeu as costas dele e cravou os dentes na pele de Mike. Ele não gritou.
Dean se afastou e voltou à forma humana. Mike ergueu o olhar para nós e eu vi. O lobo dourado corria em seus olhos. Ele era o novo alfa.
Nas costas de Mike, bem na marca da mordida, se formou uma tatuagem negra de um lobo uivando para a lua. Dean entregou seu colar à Mike e todos o cumprimentaram com reverências e palmas. Aí chegou a minha vez.
Paul e eu fomos para o meio do círculo e ele pegou uma faca. Não, espera. Era uma estaca. Era a hora de dizer adeus à meu cabelo. Com um aperto no coração, abaixei-me em sinal de respeito a Paul até sentar-me no chão. Ele pegou meus cabelos e passou a estaca por eles. Que péssima maneira de cortar cabelo! Quando meus cabelos ficaram na altura dos ombros, ele jogou a estaca e ela acertou uma árvore. Assovios foram soltos e eu revirei os olhos.
Me levantei e tirei a camisete preta, ficando apenas de top e short. Paul abaixou-se, colocando os lábios em meu ouvido e murmurou:
– Se doer, não grite. É questão de segundos para passar.
E depois disso se transformou. Fiquei de quatro no chão e fechei os olhos, preparando-me para a dor. Senti os dentes dele perfurando minha carne e mordi o lábio para não gritar. A dor era insuportável, mas durou apenas alguns segundos. Meus olhos arderam e eu soube que o lobo estava uivando dentro deles.
Me levantei e todos bateram palmas. Não precisei ver para saber que havia um lobo tatuado em minhas costas pelo sangue alfa de Paul. Recebi abraços de meus colegas de matilha e um beijo demorado de Mason. Depois, Mike e eu saltamos e giramos no ar, nos transformando em uma explosão.
Uivamos para a lua e a batida dos tambores aumentou. Todos uivaram e se transformaram também. Exceto Dean e Paul. Eles conversavam perto da fogueira, mas ninguém, exceto eu, notou-os ali. Mase disse-me que estava orgulhoso (por seus pensamentos, quer dizer) e eu uivei. Todos uivaram para a lua outra vez, me imitando e assim acabou a cerimônia.

Lobos - Catorze

Uma semana.
Tive uma semana até a celebração alfa. E até Mason sair com Jamie, Jesse e Mike Young (esse último, europeu) para verificar o território. Eles foram os escolhidos para ver se os orientais estavam prontos para atacar. E aquele era meu último dia com ele antes de ele partir e antes de eu virar alfa. Tudo estava acontecendo tão depressa...
– Eu prometo que voltarei antes que você comece a sentir saudades. – disse ele, afagando meu rosto e olhando para a lua cheia.
– Impossível. Já sinto sua falta.
– Volto logo, K.J. – ele beijou minha testa e depois meus lábios. E foi embora.
– Tchau, Mase! – gritei.
– Volto para sua cerimônia! – ele uivou e, num salto, seu corpo foi trocado por um lobo.
Suspirei e voltei para minha cabana, já sentindo falta de Mason. Pela fresta da cortina que ficava na porta, observei o luar e ouvi um uivo dentro de mim. Toquei o pingente de lobo. Em menos de vinte e quatro horas, eu seria a líder de uma matilha de lobos onde os integrantes eram, em sua maioria, mais velhos que eu. Que ironia!
Mas era a hora de aceitar os fatos. Eu seria a líder e eles se submeteriam à mim. Kyla Johnson, a herdeira de Sara Johnson, avó do meu bisavô. (eu acho) E, embora eu ache que Joshua é melhor para o cargo, devo aceitar o destino. É uma pena que se nasce lobo, e não se transforma. Ou eu poderia... Sei lá, transformar Josh.

Quando amanheceu, fui direto à cabana de Paul. Estávamos treinando de verdade agora. Luta direta, ataques limpos e justos. E aquela estranha ligação espiritual que havia entre nós voltou com os treinos. Devia ser porque eu seria a nova... Alfa. (oi, sou uma fêmea alfa! Argh!)
A chuva cessara e o sol surgira, iluminando meu rosto. Um dos motivos para treinar com Paul era que ele poderia me controlar caso Sara retornasse. Eu achei meio idiota , pois não fui possuída de novo desde o dia que quebrei o nariz de Dean Howe. Mas não devemos abusar da sorte.
Paul me esperava em frente à cabana. A dele era enorme, de modo que podíamos treinar lá. Mas vi que hoje seria de outra forma. Nós lutaríamos em campo aberto. Os outros dormiam e poderíamos lutar no interior da floresta. Bem, será divertido.
Segui ele até uma área nova da floresta. Poucas árvores, e isso era bom e ruim. Ruim porque não há esconderijos para nós e nem lugares para encurralar nossos oponentes. Bom porque não há esconderijos para os oponentes e não seremos encurralados por eles. Este será o campo de batalha. E a cada dia que passa essa guerra me apavora mais.
– Pronta?
assenti com a cabeça e ele pediu para retomarmos a lição anterior. Sem a presença de Sara, ficava difícil atacar alguém em forma humana. E era beeeem difícil atacar Paul – afinal, ele é o alfa! Se eu tiver a força dele quando for a líder, ganharei a batalha.
– Muito bem, Kyla. Lembre-se da primeira lição: mantenha o foco e não se distraia. Agora tente me atacar.
Sempre que eu tentava, ele ganhava. Mas, quando tentei dessa vez, consegui surpreendê-lo. Dei uma pirueta no ar, alcançando uns dois metros acima de sua cabeça, e aterrissei em seu peito, derrubando-o no chão. Ele sorriu, satisfeito com minha primeira vitória, e eu saí de cima dele, virando as costas e preparando-me para o próximo ataque.
Mas Paul me pegou. Ele conseguiu me pegar. E eu ajudei. Quando me virei, ele se levantou e puxou-me pelo braço, me jogando de costas no chão. (e, caramba, como doeu!)
– Segunda lição: nunca se vire se não tiver matado seu oponente. – ele sorriu.
– Certo. – bufei.
Ele estendeu a mão para me ajudar a ficar de pé e vi minha chance. Sem demonstrar nada, peguei sua mão e sorri, puxando-o para o chão e ele caiu.
– Terceira lição: nunca baixe sua guarda. – eu disse, rindo – Parece que finalmente te peguei.
– É, parece. Agora me ajude a ficar de pé.
– Não! – gargalhei – Ei, você podia, sei lá, me ensinar a transformar daquele jeito legal.
– Qual jeito?
Expliquei à ele que eu não conseguia me transformar num salto como todos os outros. Só quando eu corria ou quando tinha perigo. Paul disse-me que eu era muito jovem.
– Então sou muito jovem para ser alfa também.
– Vamos para a cachoeira. – ele bufou.
Ele correu comigo (cara, ele era rápido!) para a cachoeira mais próxima e explicou que se eu pulasse do topo, a adrenalina seria maior e me permitira transformar do jeito que eu queria. Nos transformamos e continuamos a correr. Era bom correr com ele.
Não sei a qual cachoeira chegamos porque não conheço a área. Mas era linda. A água era limpa e caía furiosamente no rio. Paul subiu no topo e ficou na parte terrestre. Imitei-o e fiquei na forma humana. Ele também fez isso.
– Muito bem. Veja como eu faço e tente fazer igual.
Ele tomou distância e correu para a beira. Gritou e girou no ar, se transformando e caindo na água. Depois ele olhou para mim e correu para perto de mim. (Tudo isso em menos de cinco minutos) Voltou à sua forma humana e disse-me:
– Vai.
Assenti e tomei distância do topo. A adrenalina correu por meu corpo e eu me preparei. Corri de olhos fechados para a beira e saltei. Mas não me transformei. Eu abri os olhos e vi que estava caindo na água. Um estrondo e eu caio. Ainda em humana.
Saí da água, bufando, e olhei para Paul. Ele não ria como eu esperava que fizesse. Ele balançou a cabeça e pediu que eu tentasse de novo. Voltei para perto dele ainda na forma humana. (isso levou uns quinze minutos. A subida era longa)
– O quê eu errei?
– Você hesitou. Não pode hesitar.
– Mas é muito grande! – bufei – Como eu poderia pular sem medo?
– Quer mesmo saber? – ele sorriu, se divertindo.
– Claro!
– Bem... Desse jeito.
Ele me empurrou para a queda e eu gritei. A adrenalina preencheu meu corpo e senti os hormônios se unirem à ela. A queda se aproximava cada vez mais do fim e eu ainda não conseguira. Fechei os olhos e uivei. A explosão de calor aconteceu.
Quando caí na água, estava sob a forma animal. Uivei para Paul e ele gargalhou, satisfeito. Sua risada pareceu um trovão e eu gostei disso. Corri ao redor da cachoeira para me secar e senti poder nas patas. Subi a cachoeira e fiquei ao lado de Paul outra vez. Voltei à forma humana e disse:
– E aí?
– Foi perfeito!
– Outra vez!
Repeti a cena cinco vezes e finalmente consegui a perfeição que eu queria. Uivei em cada aperfeiçoamento e recebi um sorriso caloroso de Paul. Mas, quando eu finalmente achei que iríamos descansar, ele disse:
– Vamos voltar.
– Ah, não! Vamos ficar um pouco aqui. Por favor!
– Kyla, precisamos voltar.
– Eu estou morta. – caí na grama e ele riu – Vê? Morri. Agora você vai ficar aqui e cuidar de mim. E falo sério.
– Uma ordem, alfa?
Quis atirar uma pedra na cabeça dele, mas me segurei. Eu estava exausta. O último mês foi bem agitado. Cheio de lutas, treinos, corridas... Eu precisava descansar. E Paul pareceu entender, pois sentou-se perto de mim.
– Por que não quer voltar?
– Porque aí será real.
– O quê?
– A cerimônia. Hoje à noite. Eu não quero ir.
– Mas precisa. Você é a alfa.
– Eu sei. E é por isso. Não quero ser alfa. Por que não escolhe outra pessoa, tipo o Jesse?
– Porque eu achei você.
– Como?
– Pelo cumprimento do alfa.
– O quê isto tem a ver? – bufei, me levantando e encarando ele.
– Tudo a ver.
Ergui as sobrancelhas e ele respirou fundo, se deitando na grama com os braços na cabeça. Paul olhou o céu e eu não tirei os olhos dele.
– Sabe por que o cumprimento do alfa é um toque nos lábios?
– Porque eles são abusados? – arfei, irônica. Ele riu de leve, mas logo voltou a expressão normal de líder.
– Não.
– Por que, então?
– Porque é assim que as almas alfas se reconhecem.
– Então tudo se resume à isto? – revirei os olhos.
– Sim. Tinha outra coisa em mente?
– Bem, sim. Mas não importa.

Lobos - Treze

Paul mandou nos chamar beeem cedo na manhã seguinte, então Mason e eu colocamos nossas roupas e fomos para a cabana do alfa. E, para nossa surpresa, Paul desconfiava que havia um “algo a mais” entre Mason e eu, pois, na hora que entrei com Mason, ele pediu que ele se sentasse ao lado de Jamie Ozera e eu ficasse entre ele e Anne.
– Bom dia à todos. – começou Paul – Essa é nossa primeira reunião de batalha com Dean Howe e seus lobos.
Paul pigarreou e gesticulou para Dean. Tive de reprimir o riso ao ver Mason imitando Paul. Paul imediatamente olhou na direção dele, fuzilando-o com os olhos. Mase lançou-lhe um sorriso inocente. Quando Paul voltou-se para Dean, Mason murmurou algo como “Pessoal, este são Dean e sua gangue” e eu ri.
– Hoje iremos... Discutir as estratégias de batalha para conhecemos melhor uns aos outros.
– Pensei que fizéramos isso nas últimas três semanas. – zombou Mason.
– Ahn, tem algo a dizer, Stanley?
– Não, alfa.
– Pois bem, resposta certa. – Paul pigarreou – E eu espero que possamos conviver em paz. Certo?
Todos assentiram. Ninguém devia discordar do alfa. Ou morreria. Fitei a tigela com o sangue alfa no centro da cabana e senti vontade de vomitar. Eu espero não fazer isso um dia.
– Ei! – Anne me cutucou com o cotovelo e eu inclinei a cabeça para ela – Esses europeus são mesmo gostosos!
Revirei os olhos para ela e ela lambeu os lábios. E estava certa. Os ingleses da família de Dean eram muuuuuito gostosos mesmo. Mas não era hora para pensar nisso!
Paul continuou a explicar sobre a guerra e disse que era importante que tivéssemos união e respeito. Podíamos ser muitos, mas não lutávamos muito. E Mason e Jesse ficaram encarregados de nos ensinar. Pude ver um fogo ascender no olhar de Mason e vi sua excitação. Ele adorava isto! Para ele, nunca seria demais quebrar a cara de Jesse. Jesse, por outro lado, não demonstrou emoção alguma. Uns lobos franceses cochicharam algo que não ouvi e socaram os ombros uns dos outros. Dean sorriu, como se dissesse “eu me orgulho tanto de vocês!” para seus lobos.
– Paul, por que não anuncia sua decisão? Aquela que discutimos mais cedo. – Dean disse, como se não quisesse nada.
– Claro, farei isso. Atenção! Todos vocês! Eu tenho um comunicado especial a fazer. – ele aumentou o tom de voz – Como todos sabem, eu sou o alfa e decido a hora de escolher novo líder. E a decisão já foi tomada. Kyla Johnson será a nova alfa a partir da semana que vem. E todos poderão ver a cerimônia, onde ela e o escolhido de Dean Howe receberão as marcas da promessa.
Jesse trincou os dentes e Mason uivou, empolgado. Recebi cumprimentos de meus colegas e senti a testosterona no ar quando olhei para Jesse. Merda! Paul, eu te odeio!
Paul liberou todos nós e esperei Mason sair para ir atrás dele. Peguei em seu braço e ele parou de andar.
– Sim, alfa? – ele fez uma reverência e eu bufei.
– Sem graça. Quero falar com você.
– Claro! Vamos dar uma volta?
– Vamos. E, por favor, não me chame de alfa. Odeio isso!
– Certo, alfa. – soquei seu braço e ele riu – Desculpe. Johnson.
– Melhorou. Anda, Stanley!
– É uma ordem?
– Se eu disser que é, você para com o papo de alfa?
– Bem, sim.
– Então é!
Caminhamos em silêncio por um tempo e o único som era das lutar de treino entre nossos colegas de matilha e as provocações e cochichos quando eu passava com Mason. Até que, depois de um certo tempo olhando os cochichos, eu disse, mais em um suspiro:
– Ele não devia ter feito isso!
– Ei! Sabe que está exagerando, né?
– Como?
– Princesa... Esse é o sonho de todos da matilha! É uma honra!
– Então que outra pessoa aceite! Eu nem queria ser uma droga de lobo, quando mais a porcaria da alfa!
– K.J. – ele murmurou meu apelido (que ele nunca, bem, quase nunca, usava) e pegou meu queixo – Você é incrível! Eu acredito que será a melhor alfa desse mundo! – ele pegou meu pingente de lobo do colar e sorriu. Depois olhou em meus olhos e disse – Estes são mais que óbvios sinais. E você herdou isso direto de Sara.
– Eu sei. Tudo bem, Mase. Me convenceu. Eu aceitarei isso. Só por você.
– Essa é a minha garota!
Ele afagou meu rosto e nós rimos. Ouvi passos distantes com meus sentidos aguçados de loba e virei-me para o oeste. Bem a tempo de ver uma ruiva esbelta e musculosa (que obviamente era européia) se aproximar de Mason e eu. Atrás dela, estavam seis lobos musculosos e gigantes (digo, uns dois metros de altura), como se fossem seus guarda-costas.
– Kyla Johnson. – ela disse com uma voz angelical, mas poderosa – O mestre quer vê-la.
Olhei para Mason e ele me explicou que “mestre” era o termo que eles se referiam à Dean. Assoviei e assenti, indo com o “esquadrão anabolizante” ver Dean. E, diferente do que eu pensava, Dean (ou melhor dizendo, mestre Dean) me esperava em uma rede, e não em sua ilustre cabana.
– Ora, ora. A pequena Sara Johnson – ele gargalhou – Perdão. Foi uma piada ruim. – ele tossiu – Mike, Angel, podem nos dar licença?
– Sim, Mestre. – disseram a ruiva e um dos lobos musculosos.
– Bem, bem, bem. – ele se levantou da rede e sorriu – Serei breve e verdadeiro.
– Como quiser. – dei de ombros – Não tenho pressa.
– Ótimo. – ele estendeu o sorriso pelo rosto todo. E ficou muito gato – Gosto de suas atitudes, se permite-me dizer. É uma garota de atitude. Bem típico de Sara, devo acrescentar. E me surpreende que você desconheça o passado dela.
– E sua ilustríssima presença me dirá? – revirei os olhos.
– Mas é claro! Temo que seu namorado encrenqueiro não te disse tudo. E muito menos seu líder, o Stryder.
– Dá pra ir logo ao assunto?
– Pensei que não tivesse pressa.
– Pensei que seria breve. – rebati.
– Claro. Bem, a verdade é que sua queria ancestral era uma vagabunda.
Suas palavras me encheram de raiva imediatamente. Fui tomada por fúria e pelo espírito de Sara de um modo que nunca experimentara antes. Meus olhos estavam em chamas e eu queria matar Dean Howe com minhas próprias mãos. (ou melhor, Sara faria isso com minhas mãos)
– Claro que foi uma guerreira brilhante, e reconheço isso. – continuou ele, aparentemente sem ver minha fúria – Mas ela abusou de muita gente para chegar ao topo. Era magnífica, mas vagabunda. Ela abusou de Samuel Stanley até conseguir o cargo de líder suprema.
– Ora essa, você nem a conheceu!
– E nem você. Mas eu sei a história.
– Só diz isso porque o inútil do Nicholas Howe não conseguiu o cargo! – rosnei, não me reconhecendo.
– Tem razão. E depois que a guerra acabar, eu matarei Paul Stryder e serei o alfa supremo. E você irá se submeter à mim. E se dizer isso à ele, eu...
Sara tomou posse de meu corpo e usou minhas mãos para bater em Dean Howe. Ela socou o maxilar dele três vezes, abaixou a cabeça dele e, com meu joelho, atingiu o nariz dele. Ouvimos o barulho da cartilagem se movendo e Dean levantou a cabeça. Seu rosto sangrava do nariz ao queixo e ele ria. Vagabundo!
– É você, Sara? – e sorriu, limpando o sangue do rosto – É bom ouvir a verdade, não é?
– Ora essa, imprestável! – Sara disse, através de meus lábios – Você não irá roubar meu lugar. Não de novo. Seu bisavô foi um inútil como você é!
– Você está morta! – ele gritou – Morta. E não pode me deter.
– Ah, não?
Sara saltou no pescoço dele e prendeu-o com meus braços. Imediatamente, Dean nos derrubou no chão e ficou em cima de meu corpo; seu pingente batia em meu rosto. Cuspi na cara dele e chutei sua barriga, empurrando-o para trás. Pulei em seu peito e Sara usou minha mão para pegar o pescoço dele.
– Tem certeza?
– Mestre! – a ruiva musculosa disse, se aproximando de nós – O quê ela...
– Kyla! – Paul me pegou nos braços, tirando-me de cima do corpo de Dean – Oh, Kyla, pare!
Paul correu para sua cabana com Sara e eu nos braços. Colocou-nos em sua cama e ajoelhou-se na nossa frente, segurando meus ombros.
– Kyla, acalme-se.
– Não! Saia de nossa frente, Stryder! – Sara gritou por meus lábios – Eu vou matá-lo!
– Sara? – Paul nos fitou, confuso – Sara, saia deste corpo. Deixe Kyla em paz.
E aconteceu. Num minuto, eu estava possuída por minha ancestral e no outro ela simplesmente sumiu. Caí na cama, cansada, e Paul murmurou algo em português.
– O quê houve lá fora?
– Ele estava falando sobre Sara. E... Aí eu estava em cima dele. Ele falou algo sobre matar você e ser o alfa supremo. Aí ele ofendeu a gente e... Não me lembro. – menti.
– Seus olhos. – ele murmurou.
– O quê tem com eles?
Ele me entregou um espelho e eu vi. Não havia simplesmente um lobo parado olhando através de meus olhos ou um lobo correndo ou até mesmo uivando. O lobo em meus olhos rosnava e estava pronto para atacar. Era o meu lobo interior. “Agora eu entendo tudo!” pensei, me levantando, mas Paul me fez ficar sentada.
– Ei! – disse Mason, entrando na cabana – Eu soube que Kyla bateu no Howe até ele sangrar e Angel Young interferir.
– Não fui eu... Foi...
– Não, Kyla. – murmurou Paul, me interrompendo.
– Ele precisa saber. Se guardar segredo. – eu virei-me para Mason e ele assentiu – Foi Sara. Ela tomou posse de meu corpo.
– Uau! E eu perdi isso?
– Stanley! – Paul disse, rígido.
– Brincadeira. Você está bem?
– Sim. – respondi, me levantando e saindo da cabana – Vamos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Lobos - Doze

A semana seguinte foi repleta de treinamentos para a grande guerra. Lutamos uns com os outros e dividimos táticas de batalha com os lobos europeus. Depois disso, eu tive meu “treinamento especial alfa” com Paul. Era praticamente o quê Mason disse: correr, lutar e lições de moral.
E por falar em Mason... Não tivemos encontros românticos por um bom tempo. Ficamos concentramos demais nos treinos. E eu usava todo meu tempo livre para ligar à vovó e tia Linda. (E, acredite se quiser, sentia falta de Joshua!) Segundo os relatos de vovó, ele estava bem na escola. e ele sentia falta de Anne.
No tempo que me sobrou dos treinos, liguei para Katheryn. Sentia muito a falta dela e – caramba! – não imaginei que ficaria tão feliz ao ouvir a voz dela. Como eu imaginava, ela perguntou o motivo de minha ausência e tive de mentir. Disse que estava passando uns tempos com meu pai. (uma mentira absurda, pois nem sei se ele existe!)
– E quando você volta?
– Não sei, Kate. Mas deve ser logo. E aí, como vão as coisas com Andrew?
– Ah, não falei? Ele e eu estamos namorando!
– Wow! – assoviei – Que máximo! Fico feliz.
– Valeu. E as coisas com Mason?
Contei TUDO à ela. Não escondi praticamente nada (exceto a briga entre Mase e Jesse) e ela ficou muito excitada com tudo. Kate é assim! Ela fez até uns comentários maliciosos sobre minha primeira vez e eu ri.
– E depois? Você vai se mudar para Vancouver ou ele virá para Seattle?
– Não sei, Kate.
– Por favor, não se mude! Eu sinto muito a sua falta!
– Eu também, Archibald.
– Tchau, Kyla.
Desliguei e senti um aperto no coração. Eu sentia muitas saudades de casa e mal podia esperar para ver meus amigos (ou melhor, minha amiga) e minha família. Guardei o celular na mochila e percebi o livro de história lá. Num ímpeto, o tiro da bolsa e rasgo tudo. Não precisarei disso tão cedo. Destruo tudo que é da escola e penso em tacar fogo, mas sou interrompida por Mason.
– O alfa quer te ver.
Sua voz era sem vida. levantei-me depressa do chão e o acompanhei até a cabana de Paul. Nossos braços roçaram um no outro e eu queria muito tocar nele.
– Você vai entrar comigo?
– Não. Ele a quer sozinho. – ele deu um sorriso torto.
– Ta. Te vejo mais tarde?
– Com certeza, Johnson. – ele piscou e saiu dando piruetas no ar. Gargalhei e entrei na cabana.
Paul estava sentado, meditando. Quando me viu, sorriu e bateu no chão, convidando-me a sentar-me ao seu lado.
– Ei! – disse eu.
– Oi. – ele passou os dedos por meu rosto, descendo para o pescoço – Seu corte está cicatrizado. Bom.
– O quê quer comigo? – fui direto ao assunto.
– Bem, achei que deveria liberar você dos treinos hoje. Afinal, é domingo. Tem o dia livre. Espero que faça bom proveito.
– Hoje é domingo? Sério? – disse, feliz. Eu perdera a noção do tempo.
– Sim. Bom descanso. – ele sorriu.
Quase pulando de alegria, saí da cabana de Paul e corri ao encontro de Mase. Para meu azar, esbarrei em Jesse e Jamie no caminho e quase caí no chão. Rosnando, ignorei-os e continuei andando.
– Ei, Johnson!
– O quê você quer? – trinquei os dentes – Stryder.
– Eu... Bem, vou direto ao assunto. – ele parou de sorrir e se aproximou de mim – Não acredito que Paul escolheu você para alfa. Eu mereço esse cargo melhor que ninguém!
– Se merece, então devia estar treinando, não? – disse eu, provocando.
– Aposto que você seduziu ele. Não deve ser tão boa assim. Bom, deixe-me ver.
Ele pegou meu pescoço, enrolando meus cabelos em seus dedos, e cobriu minha boca com a sua, esmagando nossos lábios. Coloquei as mãos em seu peito nu, tentando me afastar dele, mas não deu. Sendo assim, esperei ele acabar e bufei, socando seu queixo e o derrubando no chão. Ajoelhei em seu corpo e coloquei o cotovelo em seu peito. (acredite, é difícil derrubar um lobo de quase dois metros)
– Olhe aqui, eu não pedi à Paul para me escolher, mas aconteceu. E não é um garoto mimado que vai mudar isso. Fui clara? – rosnei.
– Derrubado por uma garota de dezesseis anos! – Mason riu, atrás de nós – Pois é, Stryder. Você está ficando fraco. E olhe que Johnson não é fraca. Se eu fosse você, o quê eu não quero ser, não a subestimaria.
– Stanley! Você está por trás disso, não?
Jesse tentou se levantar, mas eu ainda estava em cima dele. Ele me empurrou e se levantou, rosnando. Podia sentir os hormônios que emanavam dele – e havia também testosterona no ar! Mason parou de rir e se aproximou de Jesse. Me colocou para trás de seu corpo.
– E se você a beijar de novo, serei eu quem quebrará sua cara.
“Merda! Ele viu!” bufei, em pensamentos. Mase se virou e percebi Jesse pular, se transformando em uma explosão. Mase disse para eu correr e deu um salto, se transformando também. (eu preciso mesmo aprender isso!) E eu corri, mas virei um lobo antes. E Jamie fez o mesmo.
Mason saltou sobre o corpo enorme de Jesse e ambos rolaram pela floresta, numa luta mortal. Empurrei Jamie Ozera e corri para ajudar Mason. Jesse estava tentando atacá-lo pelas costas, mas eu mordi seu pescoço (vingança!) e ele se concentrou em mim.
Aí Mason conseguiu atacá-lo pelas costas. Desse jeito, fiquei com Jesse me atacando, Mason atacando Jesse, Jamie atacando Mason e eu tentando me livrar de Jamie. Tentei despistar Jesse e corri para o interior da floresta, com medo de Paul nos ver. De novo.
Mas acabei tropeçando e caí. Isso deu grande vantagem à Jesse. Ele conseguiu me pegar nas costas e me arrastar até o rio. Mason empurrou-o contra uma árvore e Jamie foi surpreendido por Anne, sua irmã caçula.
Mason voltou a forma humana e subiu em uma árvore. Saí da água e voltei à forma humana também. Mase pulou da árvore e puxou-me pelo braço para sua cabana, deixando Jamie, Anne e Jesse lutando.
– Precisamos ajudar Anne.
– Ela sabe se virar! – ele respondeu, suspirando e me colocou na cama – E que droga foi aquela?
– O quê exatamente?
– Beijar Jesse. Ta, eu sei, ele beijou você. Mas foi... Não sabe como foi ruim vê-lo beijar você!
– Eu tentei me libertar.
– Eu vi. E ele gostou. Sabe, ele só queria me provocar. Gostar do seu beijo foi um brinde.
– Como é? – me levantei da cama e o encarei – Eu não...
Mase me empurrou contra a parede de sua cabana e começou a me beijar furiosamente. Beijei-o de volta, com saudades dele. Não nos tocávamos assim há quase duas semanas. Quando ele parou o beijo, estávamos arfando.
– Senti saudades. – ele arfou.
– Eu também. – arfei.
Voltamos a nos beijar e ficamos assim por um bom tempo. Eu sentia falta de seu corpo e ansiava para tê-lo outra vez, mas não era uma boa hora. Então me contentei em ficar perto dele.
– Precisamos treinar.
– Hoje é meu dia de folga. Devíamos aproveitar.
– Kyla Johnson querendo aproveitar o dia me agarrando? Uau!
– Você fala demais!
– Eu sei.
Ele voltou a me beijar, faminto, e começou a tirar minha roupa. Primeiro a blusa de frio, depois a camiseta e a calça. Desceu os lábios por meu corpo todo e suas mãos fizeram o mesmo. Ficamos seminus em sua cabana e meu medo era que alguém entrasse.
Aí ele me levou para cama.

Lobos - Onze

Não queria que Mase se sentisse daquele jeito, então tentei acalmá-lo. Abracei-o e pedi que ele me contasse histórias sobre nossos ancestrais, mas ele balançou a cabeça.
– Quero fazer outra coisa.
Ele me pegou no colo e entrelaçou nossos dedos. Sorri para ele e senti seu olhar de desejo sobre mim. Ele me pegou pelo pescoço e me beijou. Senti sua língua tocando na minha e senti sua mão em minha perna. Para ser mais exata, em minhas coxas. Como Mason não vestia camisa, comecei a passar a mão por seu tanquinho (não sei se eu já disse, mas Mason tem um tanquinho M-A-G-N-Í-F-I-C-O e E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R!) no momento em que ele desceu os lábios para meu pescoço.
Ele gostou disso e sorriu, entre beijos. Voltou seus lábios para os meus e desfez meu rabo-de-cavalo. Suas mãos percorreram meu corpo e eu fiz o mesmo. Comecei a descer meus lábios pelo pescoço dele. Mase enfiou as mãos por debaixo de minha camiseta e abriu meu sutiã. Não o impedi nem nada. Eu me senti preparada. Eu estava preparada.
– Você está diferente hoje, Kyla. Eu gosto disso.
– Mase, vamos para a cama. – gemi.
Ele sorriu e correu para a cama de solteiro que estava no fundo da cabana. Fui para debaixo das cobertas com ele e continuamos a nos beijar. Ele massageou meus pés e, depois, as costas. Depois ele tirou o resto de suas roupas e tirou minha camiseta e meu sutiã. Percorreu meu corpo seminu com os dedos e beijou-me outra vez. Senti sua língua mais uma vez e pressionei nossos corpos um contra o outro.
Sua mão foi para minhas pernas e subiu para minha saia. (Sim, eu estava de saia) Ele conseguiu tirá-la e riu, entre beijos. Depois tirou minha calcinha e me agarrou, beijando-me avidamente. Meus seios estavam pressionados em seu peito e ele gostava disso. Parei de beijá-lo e olhei para seu rosto. Seus olhos estavam negros de desejo. Meu cabelo caiu em seu rosto e ele sorriu, me beijando de novo.
– Eu te disse que nascemos um para o outro, K.J. – ele sussurrou em meu ouvido – Você é tão sexy.
Agarrei-me à seu corpo e rezei para que ninguém aparecesse ali agora. Seria totalmente constrangedor se isso acontecesse. Se Paul nos visse ali... Eu nem poderia imaginar. Deitei a cabeça em seu peito e ele beijou-me outra e mais outra vez. Sua mão não parava de percorrer meu corpo (e quando passou por minhas costas, causava-me arrepios) e eu até gostava disso.
– Você me ama? – eu assenti e ele respirou fundo – E está pronta para perder sua virgindade comigo?
– Eu estou nua com você, não? – revirei os olhos – E... Pegou camisinha?
– Não precisa. Não vai engravidar. Lobas só engravidam após os 21 anos, quando ficam mais de décadas sem envelhecer e depois voltam a envelhecer e morrer. E lobos não têm DSTs.
– Mase, eu... Estou mais que pronta. Eu não estava antes, mas estou agora.
– Isso é bom. – ele sorriu – Mas será... Perigoso se me verem sair daqui amanhã cedo.
– Acordamos cedo e vamos ao rio. Aí nos transformamos e ninguém saberá.
– Esse é um lado seu que eu não conhecia.
“Nem eu”, quis dizer, mas não pude. Me perdi na paixão quando ele me tocou outra vez. Foi mais forte que eu. Começamos a nos beijar de novo e, quando me permiti me entregar à ele, pude conhecer um lado meu que eu nunca, nunca meeesmo, suspeitei que existia. E, devo dizer, este lado começou a me assustar.

Mase me acordou de madrugada, quando todos dormiam. Peguei uma troca de roupa e guardei as roupas do dia anterior na bolsa. (a idéia de ficar dias com a mesma roupa começava a me assustar) Ainda nua, corri até o rio e deixei a troca de roupa em cima da cama. Mase mergulhou e eu mergulhei logo em seguida.
– Gostou de sua noite, princesa? – ele sorriu.
– A-M-E-I! – sorri de volta.
– Whoo-hoo! – ele disse baixinho.
Mason ficou menos tempo que eu na água e, quando saiu, percebi que ele usava um short caqui, e não o jeans desbotado de sempre. Fiquei por mais alguns minutos dentro da água e saí para colocar minha roupa. Corri (ainda nua) para a cabana, vesti uma calça jeans velha, sequei o cabelo, torcendo-o, e, quando ia colocar o sutiã, Mase entrou.
Percebi que era ele pelo jeito que me abraçou. (eu estava de costas, só para esclarecer) Depois do susto, ele riu e virou-me para olhar em meu rosto, beijando-me. Pressionou seu peito contra meus seios e beijou-me mais ainda, nos jogando na cama. Aí parou de me beijar e olhou para meu corpo.
– Gosto de você assim.
– Nua? – bufei, socando seu braço.
– Também. Mas eu quis dizer... Livre. Você parece mais segura. Quem é você e o quê fez com a Kyla?
Nós rimos e ele continuou a olhar meu corpo. Depois passou a mão por meu corpo e eu coloquei o sutiã. De certo modo, eu não gostava muito de vê-lo analizar meu corpo (nu!) daquela forma. Voltamos a nos beijar e ele passou o braço por minhas costas, erguendo-me para ele. Seus lábios desceram por meu corpo todo e eu me afastei.
– Quê foi? – perguntou, surpreso.
– Agora não. não me sinto bem para fazer isso outra vez.
– Não vou pedir à você para fazer isso. só quero ficar com você aqui. Posso?
– Pode. – mordi o interior da bochecha – É que... Não estou confortável com você olhando em meus seios.
Ele riu e voltou a me beijar. Nos sentamos na cama e ele percorreu meu corpo com os dedos. Eles deslizaram por minhas costas e tentavam tirar meu sutiã – de novo. Deus, não pode ser! Ele me quer nua?
– Por favor. – pedi – Não.
– Vou parar. – prometeu – Sério.
– Ótimo.
Saí da cama e coloquei a camiseta. Saí da cabana e subi numa árvore. Peguei uma maçã e mordi. Mason apareceu depois de uns segundos. Ele me fitava, curioso, e forçou um sorriso. Sorri e chamei-o para sentar-se no galho comigo. Ele sorriu de volta e fez o que eu disse.
– Desculpe. Eu não devia ter feito aquilo.
– Tudo bem, Mase. Na verdade, gosto disso.
Ele sorriu e pode-se dizer que fizemos as pazes.

Lobos - Dez

Segurei o impulso de ligar para Kate e contar à ela sobre minha quase perda de virgindade e fui falar com Paul. Ele estava sozinho. Senti vergonha. Ele devia saber sobre Mason e eu.
– Olá Kyla. – ele sorriu – Entre.
– Oi. Eu queria tirar uma dúvida.
– Sobre Sara?
– Não. Bem, sim. Quer dizer, o fato de você querer que eu seja a alfa é por causa dela?
– Quero que seja porque você será uma boa líder. Está no sangue. – ele olhou para meu colar – E também porque eu estou no seu lugar.
– O quê?
– Você seria a próxima alfa, Kyla. Mas é muito jovem. Então eu fui escolhido. Mas a partir de hoje, te nomeio minha segunda do alfa. Estará em treinamento e assumirá a liderança quando for a hora. Agora vá, descanse. Temos um longo dia pela frente.
Saí antes que ele me beijasse. Corri até a cabana de Mason e me perdi em seus braços. Uma das coisas que mais gosto em Mason é o jeito como ele me beija. Seus lábios urgentes são beeeem melhores que os lábios calmos de Paul, de modo que pude esquecer parte da tensão e desespero que sentia. Os motivos são óbvios: quase perdi minha virgindade, estou em treinamento para ser alfa e haverá uma droga de guerra! O lado bom: estou beeeem longe de Nataniel!
– O quê foi, princesa? – ele murmurou, ainda colado a meu corpo, em minha orelha.
– É muita coisa, Mase.
– É sobre ontem? Sobre nós?
– Não. – menti. Apesar de estar (quase) namorando oficialmente com Mason, não quis dizer que me sentia jovem demais para transar com ele.
– O quê há, então? É sobre o quê Dean Howe lhe disse?
Ah, é! Eu me esquecera desse detalhe! Antes de tudo, preciso descobrir o passado de minha ancestral – um passado que aparentemente sou a única a desconhecer.
– Não. É que... – engoli em seco – Estou preocupada com a guerra. E em ser a segunda do alfa.
– Paul te nomeou? – assenti com a cabeça e ele ficou sério – Uau. Isso é... Incrível! Princesa, é tão... Magnífico, sei lá! Mas por que você não se sente bem com isso?
– Eu só queria ser mais... – suspirei, evitando chorar – Normal.
– Princesa, – ele se afastou um pouco de mim – às vezes, ser normal não é legal. Entende? E você é especial. Eu não deixarei de te amar por isso.
Sorri para ele. Mason realmente me surpreendia.
– Obrigada. – funguei – Eu te amo.
– Eu também.

No outro dia, Paul nos chamou para treinar. Ou melhor, chamou a mim para treinar. Mason foi comigo e Paul pareceu não gostar, mas não disse nada. Ele me disse que eu precisava de outro lobo para o treinamento e Mason bufou.
– E eu estou aqui para quê?
– Você não é bom para isso. receio que você faça outras coisas com Kyla.
O olhar de Mason dizia “e eu não me importo”, mas Paul não percebeu. Ele só disse que eu podia treinar com Mason se ajudasse. Quando perguntei o que iríamos fazer, ele apenas disse:
– Corra o perímetro da floresta. Por hoje é só.
– Sem problemas. – disse Mason em meu ouvido – Você vai correr, lutar com os lobos e aprender a liderar. Só isso.
– Quer compartilhar suas idéias conosco, Stanley? – Paul rosnou.
– Ahn, sinto que elas não iam te agradar. –ele riu, piscando para mim.
Revirei os olhos e Mase riu, uivou e riu outra vez. Caminhei para o rio e senti Mason atrás de mim. (na verdade, seu riso o denunciou) Do nada, ele solta um grito de guerra e lança seu corpo sobre o meu, nos derrubando na água.
– Seu... Seu idiota! – gritei, cuspindo água.
– Eu sabia que você cairia! – ele uivou.
– Mas é claro! Você me empurrou! – bufei.
– Eu não falava disso, mas certo. Vamos. Você precisa correr.
– Eu estou tentando!
Meus ataques apenas divertiam Mason e desisti de brigar com ele. Saí da água e, torcendo os cabelos, corri sob a forma humana e, quando fiquei quente o suficiente, me transformei. Ouvi uma explosão e logo Mason estava em meus flancos.
“Ah, qual é, princesa! Não está brava, está?”
“EU NÃO VOU FALAR COM VOCÊ!” rosnei, virando a cabeça.
“Já está falando!”
Rosnei outra vez e continuei correndo. Eu poderia correr o perímetro inteiro sem ele, mas sua companhia me fazia bem. É relaxante e seguro estar perto dele. E eu estava sendo infantil brigando com ele. E, infelizmente, Mason pode ler meus pensamentos, de modo que sua alma humana gargalhou.
“Sabia que não consegue se aborrecer comigo.”
“Ora, cale a boca!” rosnei.
Para amedrontá-lo, imaginei-me atirando-o no rio e afogando-o, mas teve o efeito contrário. Mason explodiu em gargalhadas e tive de agüentá-lo rindo durante todo o período em que corri o perímetro.
Parei para beber água e Mase me jogou na água outra vez. Puxei-o com a boca e ele caiu comigo. Saímos dali, de bem um com o outro, e fomos caçar. Prefiro, particularmente, comer sob a forma humana, mas demoraria um pouco para comermos, então não tive escolha. Mason disse para caçarmos algo leve (traduzindo: algo que eu não vomite facilmente quando voltar a ser humana) e tirou coelhos da lista. Sobraram aves e peixes. Decidi pelo peixe. Era mais fácil de pegar e não me deixava tão nauseada assim. E, quando eu finalmente consegui comer um, Mason disse:
“Ei! Tem outros lobos se transformando!”
“Como sabe?”
“Sussurros. E... Espere! Eles querem nos ver na forma humana.”
“Aconteceu algo?” perguntei, preocupada.
“Sim. Paul quer ver se eu não fiz algo de errado.” ele bufou, me fazendo rir “Vamos, Johnson!”
Dois lobos –do nosso bando; não dos europeus – altos e com o abdômen suuuper tanquinho surgiram de trás das arvores. Um era moreno claro, a pele marrom-avermelhada, e os cabelos eram na altura dos ombros, negros como os meus. O outro era branco como um dos lobos franceses e tinha os cabelos curtos, castanhos e crespos. Mason ficou na forma humana, mas eu não.
– Stanley. – rosnou o moreno, de dentes trincados – O alfa está meio bravo com você.
– Oh, é? Ugh! E imagino que você, o grande puxa-saco, veio me punir, correto?
– Argh! – fez o branco.
– Não. Ele disse que você poderia fazer besteira com Kyla. – ele apontou para mim com o queixo.
– Oh, yeah! Entendi! E você veio ver se o chefe estava certo.
– Ele é o alfa, Stanley. E regras são regras.
– Se acha que será o segundo do alfa, está enganado. O cargo já foi ocupado.
O moreno rosnou e atacou Mason com seu corpo musculoso. Rosnei e, vendo que o branco não faria nada, empurrei o moreno contra uma arvore com meu enorme corpo de loba. Mordi a perna dele e ele gritou, me lançando para longe e, numa explosão, se transformando. (caramba! Eu preciso aprender a fazer isso!) Rosnou e cravou os dentes em meu pescoço. Gani e ouvi um rosnado furioso vindo de Mason.
Percebi que o lobo cinza que me atacara estava longe. O lobo cor de chocolate (Mason) lutava com ele. O humano branco (e lobo avermelhado) estava nos flancos do lobo cinza e parecia prestes a atacar Mason a qualquer momento.
“Cuidado, Mase!” gritei.
“Sua namorada está preocupada!” zombou o cinza.
“Se encostar um só dedo nela, você morre, ouviu?” ameaçou Mason.
“É? Então veja isso!”
O lobo cinza jogou seu corpo contra o meu e nos chocamos contra uma árvore. Gani e vi Mase correr até nós, mas o lobo avermelhado o impediu de chegar mais perto. Cambaleei até ele e, mais uma vez, o lobo cinza cravou os dentes em meu pescoço. Consegue me libertar dele e o ataquei com uma investida “quebra-crânio”. Ele caiu na água e eu saltei atrás dele, mordendo seu pescoço e o puxando para fora da água.
Mase ficou em posição de ataque e partiu para cima do lobo vermelho, o tirando do caminho para chegar até mim.
– O quê está havendo aqui? – a voz de Paul era como um trovão e ele estaca com Dean Howe.
Todos pararam e abaixaram as cabeças. Paul olhou feio para Mason e exibiu que ele voltasse a ser humano para explicar tudo.
– Kyla e eu tínhamos acabado o treinamento e paramos para beber água. Seus servos – ele cuspiu as palavras – apareceram de começaram uma briga. Kyla tentou me defender, mas foi atacada. Como pode ver, tem sangue no pescoço dela. Aí vocês chegaram.
Paul ordenou que os lobos que atacaram Mason e eu saíssem e eu me transformei. Ele se aproximou e ergueu meu rosto para o dele. Só por um instante, ele penetrou seu olhar no meu, mas depois fixou os olhos no corte em meu pescoço. Praguejou algo em português e Dean Howe riu.
– Stryder, gosto de seus lobos. Eles sabem lutar e praticam entre si. – ele zombou – Esta guerra será interessante, pelo visto. Você não acha?
Ele não respondeu. Ordenou que Mason e eu voltássemos para nossas cabanas e se virou, furioso. Me senti mal por decepcioná-lo. Mason ficou comigo em minha cabana e pegou um kit de primeiros socorros com Paul. Ele não parava de olhar meu pescoço. Parecia querer evitar meus olhos. Fez um curativo e fitou o chão.
– Eu sinto muito, Kyla. Não sabe o quanto. Eu não devia deixar ele te machucar.
– Tudo bem. – eu dei de ombros.
– NÃO ESTÁ TUDO BEM! – ele gritou – Merda! Você não pode lutar, Kyla! Pode se machucar e eu não quero isso!
– Mase... – passei a mão por seu rosto – Não se preocupe. Eu aprendi a lutar com eles. Aliás, quem eram?
– O moreno é Jesse Stryder. Ele é sobrinho do Paul. Mora em Vancouver. E o outro é Jamie Ozera, irmão mais velho de Anne. Ele era meu amigo, mas agora está sob o comando do Jesse! – ele rosnou.
– Por isso você não gosta de Paul. – concluí – Por causa do Jesse.
– Jesse acha que será o próximo alfa e quer que todos se submetam à ele. É um idiota!
– Mase, esqueça-o. Pense que talvez Jamie apenas quis segui-lo para ver o quê estava... Rolando.
– Não. – ele balançou a cabeça – Jamie não é mais o mesmo. E a culpa é minha.
– Por que diz isso?
– Eu o abandonei uma vez. Menti para ele sobre este negocio de ser lobo e, agora que ele é um, tem raiva de mim.
– Pensei que se nascia lobo e não se tornava.
– Existem casos à parte.

Lobos - Nove

Paul nos recebeu com um largo sorriso no rosto quando chegamos. Anne e Paul ficaram na barraca dele, suponho eu que conversando, e eu fui em minha barraca descansar. Mase foi para a dele descansar também enquanto os outros não chegavam.
– Te vejo de tarde, princesa. – prometeu ele, me dando um beijo na testa.
– Paul disse que os outros só chegarão ao anoitecer. Então... – puxei-o para mim, agarrando-me à sua camiseta e beijando-o calorosamente – Temos um bom tempo, não acha?
– UGH! Johnson, você me surpreende a cada dia! – ele uivou para o céu, rindo.
– Shhhh... Paul vai brigar com você!
– Que se dane! Paul não sabe o que é ter uma namorada?
– Pelo visto não.
Nós rimos e nos separamos, indo cada um para sua cabana. Suspirei e entrei na minha, jogando minha mochila em cima da cama – está bem, uma cama meio “florestal” – e bufando. Meu livro de história caiu no chão e entendi isso como um sinal. Eu tinha um trabalho sobre Roma para fazer, não é? Bufei e abri o livro, mas, é claro, antes liguei o celular e chequei minhas mensagens. Vi todas e adormeci em cima do livro de história.

Ouço um barulho e acordo. Espio por uma fresta e vejo que já anoiteceu. Respiro fundo e volto para o livro. Faço algumas anotações do lado de fotos e uns curtos parágrafos. Bocejei, mas continuei estudando.
– Não acredito que adormeci. – sussurro para mim mesma.
Me distraiu facilmente imaginando Júlio César e Marco Antônio. Será que eles seriam tão bonitos como Mason ou Paul? Será que eles eram tão fortes e guerreiros? Imaginei depois Cleópatra se matando com a víbora no coração. Balanço a cabeça e volto a ler.
Meu celular começou a vibrar e quase tive um ataque cardíaco. Atendo desesperadamente.
– Oi Kyla. Sou eu.
– Ah, oi vó! Que susto!
– Desculpe. E a guerra?
– Vamos planejar os movimentos ainda, vó. E como vão Josh e tia Linda?
– Bem. Eu fingi não saber onde você está, mas disse que deve estar bem.
– Obrigada, vó.
Pude ouvir um choro leve e sem soluços em sua voz, mas não disse nada. Vovó devia estar muuuito preocupada comigo.
– Bem, vó... Eu preciso desligar. – menti. Odeio despedidas, então é melhor mentir – Paul... Quer dizer, o alfa, logo vai precisar de mim.
– Certo, querida. – ela fungou – Que o espírito de Sara e de sua mãe te ajudem e te guiem. Boa sorte.
– Obrigada, vó. Amo vocês.
– Também te amo, Kyla.
Desliguei antes que começasse a chorar e voltei a me concentrar em Marco Antônio e Júlio César.
– Ei, posso entrar?
Mason sorria, me deixando meio abobada. Ele entrou na cabana e se abaixou para beijar minha cabeça. Sentou-se ao meu lado e envolveu meu corpo com seus braços.
– E aí, está estudando o quê?
– Roma Antiga. É um trabalho de escola. – dei de ombros.
– Hum... Eu sou bom nisso, sabe?
– Ah, é?
– É. Sabia que os romanos são parecidos com os lobos?
– É? Por quê? – questionei, beijando seu rosto.
– Eles adoravam guerras!
Mason sorriu, me beijando calorosamente. Derrubei o livro e a caneta no chão e agarrei-me à ele. Era muito bom ficar perto dele. Principalmente quando ele me beijava assim.
– Derrubamos meu livro. – choraminguei.
– Não importa. Quem precisa dele?
– Nós não.
– Isso mesmo.
Ondas de prazer jorraram em meu corpo quando Mason me beijou de novo e de novo e de novo... AAH! Não acredito que tive dúvidas sobre o quê sinto por ele. Parecia que estávamos juntos há anos e não há dias – bem, não namorando, mas juntos.
– Ei! Sabe o quê mais os romanos adoravam? Hein? – ele mordeu minha orelha quando eu neguei com a cabeça e sussurrou – Sexo.
A palavra me fez estremecer e ele riu. Mason passou a mão por meus quadris e eu gemi de prazer. Eu o desejava também. Muito. Mas não estava preparada para perder minha virgindade naquele momento.
– Mase, eu... Não estou pronta. Desculpe.
– Princesa, – ele pegou meu queixo com a mão e o ergueu para seu rosto – eu esperarei o tempo que for.
– Posso tirar uma dúvida?
– Claro.
– Você não... Não gosta de mim só porque... Seu ancestral era o alfa e a minha era... A favorita?
– Princesa, eu já lhe disse. – ele sorriu – Eu te amo pelo quê você é! E não pelo quê nossos ancestrais foram. E isso só prova que temos que ficar juntos.
– Como sabe?
– Porque... Se você não sabe, Sara Johnson e Samuel Stanley tiveram um caso.
– Um caso?
– É. – ele beijou de leve meus lábios – Um caso. Ninguém, além de nós, sabe.
– Como soube?
– Não é só você que conversa com seus ancestrais quando se transforma.
– Então... Quer dizer que nós somos... Parentes, sei lá?
A idéia me deu desespero. Separei-me dele depressa, com o coação doendo. Ele riu e me puxou para si de novo.
– Não, princesa. Sara era a favorita por ser amante de Samuel.
– Hum... Então, nós dois...
– Podemos ficar juntos. E vamos!
Seus dedos percorreram por minhas costas, me dando arrepios de desejo. Mason beijou-me dos lábios ao pescoço; suas mãos escorregaram para debaixo de minha blusa, chegando ao sutiã. Pensei que ele ia desabotoá-lo, mas ele não fez isso. Ele desceu para minha calça jeans, subiu de novo e tirou minha blusa de meu corpo. Antes que eu protestasse, ele cobriu minha boca com a sua e me levou para seu peito.
– Mase...
– Shh... Calada, princesa.
– Mase, eu...
– Shh...
– Mase, eu te amo. – consegui dizer, sufocada.
Ele voltou a me beijar de novo. Sufoquei-me de paixão enquanto rasguei sua camiseta e a tirei de seu corpo quente. Mason pareceu se empolgar, colando nossos corpos e me deixando mais preparada.
– Iremos imitar os romanos, princesa? Será um bom jeito de aprender mais sobre eles.
– Mase, nós...
– Não vê que nascemos um para o outro? Não tenha medo.
– Só quero que...
Ele cobriu minha boca outra vez, me impedindo de falar. Já que não se pode vencer o inimigo, una-se à ele! Envolvi seu pescoço com meus braços e caímos no chão, nos beijando e rolando na grama.
– Vamos mesmo desperdiçar a cama?
– Mase, ela é...
– Pequena, eu sei.
Ele parou em cima de mim e me olhou nos olhos. Começou a rir, do nada. Aí eu comecei a rir, sem saber o porquê.
– O quê foi?
– Johnson, você está me deixando louco! Se pudesse ver como está atraente agora... E esses olhos são tão...
– Diferentes?
– Excitantes!
– Ah, Mase! Você é com certeza o meu mau caminho!
– Obrigado!
Alguém surge do lado de fora da cabana e nós nos separamos. Uma mulher de cabelos brancos abre a cortina e diz que o alfa nos chama. Pergunto se é em sua cabana e ela diz que não. é perto do rio. Agradeço e ela sai, sussurrando:
– Oh, Deus! São apenas crianças!
– Vamos, Mase! – visto minha blusa e saio dali, corando nervosamente.
– Ela estragou tudo! – ele bufa e eu rio, alto. Envolvo-o com o braço e ele beija meu rosto.
– Acha que eles chegaram?
– Quem? Dean e sua gangue? Provavelmente.
Paul estava de costas para nós, cercado de outros lobos, os mesmos da última reunião. À uns cinqüenta metros, vejo uns quarenta lobos ou mais, todos sem camisas e com colares iguais ao meu. Paul sorriu para o líder e apertou a mão dele quando se aproximaram.
– Howe.
– Stryder. – disse o alfa francês, de voz do Batman – Bom te ver.
– O mesmo, Howe.
Paul disse quem éramos e Dean nos olhou, um a um, parando seu olhar em Mason e em mim. Perguntou à Paul se podia se aproximar e ele assentiu. Dean deu passadas largas até nós e me olhou nos olhos. Vi sua marca do alfa.
– Ora, ora! Vejam só quem temos aqui! A herdeira da grande Sara Johnson!
– É Kyla! – rosnei. Por que ninguém sabia o meu nome?
– Kyla Johnson. E, vejamos, o herdeiro de Samuel Stanley. Dois grandes lobos, dois grandes alfas. Mas você... Paul! Reunindo velhos amigos?
Paul ficou cabisbaixo e Dean prosseguiu.
– Dois poderosos adolescentes de duas poderosas linhagens... Porém, o quê eles sabem? São apenas crianças! Essa aqui – ele ergueu meu rosto para o dele com seu indicador – será a nova alfa, eu sinto.
Quis morder o dedo dele até sangrar, mas Paul precisava dele, então fiquei quieta.
– Howe, está aqui para nos ajudar e não para provocar. – Paul pareceu severo – Eu lhes mostrarei onde ficarão.
– Só espero que Samantha tenha pena de você! – rosnou ele, indo para sua cabana.
– Não ligue para ele, princesa, ele é um idiota! – Mase beijou minha cabeça, me abraçando.
– Tudo bem, Mase. Ele não fez nada.
– Mas ofendeu você. E ofendeu a mim te ofendendo, princesa.
– Mas... Como ele sabe quem eu sou? – as lágrimas de raiva escaparam por meus olhos.
– Seus olhos. E seu colar. Sara Johnson foi a primeira a usá-lo.
– Como você sabe, Mason?
– Como você não sabe? Todos conheciam a lendária Sara Johnson!
Então... Minha ancestral tem um passado que eu desconheço? “Isso é muito estranho...” pensei, enxugando as lágrimas. Me afasto de Mason e corro para minha cabana. Ele não me segue; imagino que sabe o quê se passa em minha cabeça.

Lobos - Oito

Katheryn tagarelou a aula toda e mal notou a tempestade de emoções que se passavam por minha mente e coração. Ela e Andrew deviam ter ficado. Não que ela me deixou perguntar (pois não parava de falar nem para respirar), mas ela se empolgava assim quando beijava um cara.
Eu estava à caminho de minha terceira aula quando esbarrei em Nataniel. Eu fiquei meio surpresa; não o via há dias, desde que apanhara de Mason. Nate usava um jeans novo, camisa de flanela e a jaqueta do time de futebol da escola. No rosto, um óculos escuro. Não sabia se Mason batera tão forte (e pelo visto batera), mas devia ser exagero dele.
Quando me viu, Nataniel me empurrou contra meu armário e disse, em tom ameaçador:
– Olha aqui, se seu namorado se meter comigo de novo, ele está ferrado! E se você ousar contar pra alguém, você já era!
Fiquei com mais raiva dele do que imaginei quando ele se afastou e se virou para seguir para sua aula. Sabia que Nate só queria se exibir; tanto eu quanto ele sabíamos que Nate não sabia bater nem em uma garota.
– Como é? – respondi, incrédula.
– O quê você ouviu! Eu...
Não deixei ele terminar. Esmurrei seu queixo, provavelmente quebrando seu nariz, e golpeei-lhe no rosto, lançando seus óculos escuros para perto do banheiro masculino. Ele tentou me bater, mas meu corpo era rápido demais, então me esquivei.
– Sua selvagem! – rosnou ele – Você me paga.
Cuspi no rosto dele, fazendo Nate cambalear para trás.
– Da próxima vez, pense duas vezes antes de me ameaçar, seu babaca repetente! – disse, com ignorância – Se quiser parecer melhor, Nataniel, pense duas vezes.
Eu sabia que provavelmente iria para a diretoria se um inspetor me pegasse. Mas fingi não me importar e virei-me e saí para o banheiro. Tentei não demonstrar ao babaca o quanto eu estava apavorada.
Quando cheguei ao banheiro, joguei meu material na pia e tirei o celular do bolso. Liguei para casa, rezando para quê vovó atendesse. Se tia Linda atendesse, eu estava ferrada.
– Alô? – vovó atendeu, meio rouca.
– Vó, sou eu, Kyla. Responda apenas “sim” ou “não”. Tia Linda está aí?
– Não.
– Ahn, certo. Vó, vai haver uma guerra entre os lobos. Eu vou me ausentar por uns dias.
– Por que não me disse antes?
– Não era... Seguro. Mas o problema é este: o quê direi à escola? E à tia Linda e Josh?
– Não se preocupe, querida. Quando for, deixe um bilhete embaixo de seu travesseiro e eu darei um jeito.
– Obrigada, vó. Agora eu preciso ir para a aula.

– Kyla, acorde! Acorde, Kyla!
Anne me sacudiu na cama, me despertando. Eu sonhava com a guerra. Eu lutava com um lobo cinza-avermelhado; ele me olhava com desejo sobrenatural, um desejo que eu nunca vira antes, nem mesmo nos olhos de Mason. Abri lentamente meus olhos e fitei o rosto preocupado de Anne.
– O quê houve? – perguntei, sonolenta.
– O chamado. Você não ouviu? Paul precisa de nós.
– Ai, meu Deus! Eu... Eu já vou! Só vou separar umas coisas.
– Certo. Mason vai nos encontrar perto da Colômbia. Temos meia hora para sair.
– Que horas são?
– Meia-noite. – ela sorriu, suando. Seus cabelos ruivos colavam-se em sua testa.
Anne saiu de meu quarto e eu levantei-me depressa. Na mochila da escola, joguei umas trocas de roupas e uns livros. Arranquei uma folha do caderno e escrevi um bilhete para vovó.
“Vó, precisam de mim. Os lobos vão atacar. Não sei quando volto e nem se volto. Anne está comigo. Cuide de Josh e de tia Linda. Eu amo vocês. K.J.”
Levei o bilhete aos lábios e beijei o papel, sem perceber que estava chorando. Limpei as lágrimas bruscamente com a mão e deixei o bilhete embaixo de meu travesseiro. Desliguei o celular e joguei-o na mochila. Fechei a porta de meu quarto, fui no quarto de vovó e beijei-lhe o rosto. Caminhei cautelosa e silenciosamente até Josh e beijei-lhe na cabeça. Anne estava no quarto de tia Linda e eu aproveitei para me despedir dela. Após despedir-me de todos, fiz um gesto à Anne para que saíssemos de casa. Ela me seguiu até a porta da frente e sussurrou:
– Vamos?
Assenti uma vez e pulei o muro. Lancei a mochila para o céu e saltei. Quando caí no chão, já estava sob minhas quatro patas. Peguei a mochila pela boca e rosnei, avisando Anne que devíamos partir. Ouço um rosnado baixo e em seguida vejo Anne em meus flancos. Pisco para ela e começo a correr, já rapidamente. O uivo ecoa no vento outra vez e nós duas uivamos em resposta.
“Ele parece preocupado...” gani baixo, fechando os olhos.
“E está. Paul está com medo. Somos apenas vinte lobos. Os orientais são em torno de cinqüenta. Ele tem medo de fracassar. Você sabe, todos esperam o melhor dele.”
“Mas e os lobos europeus?”
“Com eles, seremos em torno de cem. Mas nós não sabemos lutar tão bem e nem sabemos se os franceses vão aceitar isso. Eles são meio... Anti-sociais. Não aceitam a mistura de exércitos.”
“Que cretinos!” rosnei, começando a ficar furiosa “Mas por que os orientais querem tanto desafiar Paul?”
“Pelo que sei, tudo começou há duzentos anos. Se não me engano, Sara Johnson era a... Ahn, você pode chamar de beta.”
“Quer dizer a segunda do alfa?” sugeri.
“É, isso! Sara Johnson ia se tornar alfa, mas havia um problema: ela tinha dois rivais. Como era a favorita do alfa, Sara não se preocupou muito com isso. Mas Brandon e Nicholas tinham seus talentos. Sara podia ter a marca do alfa...”
“O lobo nos olhos...” pensei, interrompendo Anne.
“Isso. Mas não é só isso que conta para escolher um alfa. Brandon Cohen era o mais habilidoso, digamos, e tinha uma perfeita linhagem. Seria um magnífico alfa. Nicholas Howe era o mais rápido, mais forte e mais sábio, mas não possuía a marca do alfa. Porém, Samuel Stanley não sabia que escolha fazer. Quer dizer, Sara não tinha apenas sua marca. Tinha uma forte personalidade e sua força de vontade era... Bem, é difícil descrever. Mas ela tinha muitas qualidades.”
“Hum, está bem. Mas ainda não entendi sobre a guerra.”
“Calma, Kyla. Você é igual à sua ancestral!” Anne riu. Não creio que uma garota de treze anos me disse isso!
“Desculpe.”
“Continuando, Samuel não sabia quem seria seu alfa. Velho, ele já ficara anos como líder. Seu plano foi este: propor uma competição entre os três. Aquele que vencesse, seria o líder. Mas a competição era meio violenta. Os três, exceto Sara, que era a favorita, como eu já disse, lutariam entre si e o eu vencesse lutaria com Sara. Na luta, valia tudo. Quero dizer coisas como arrancar a cabeça do outro fora e dilacerar...”
“Já entendi!” interrompi-a, com nojo.
“Certo. Bem, Brandon e Nicholas lutaram até a morte ou que um desistisse. Nicholas atacava-o sem pensar, levando em consideração a força bruta. Mas Brandon raciocinava. Ele podia não ser o mais forte, porém sabia se defender. Sara via as batalhas sentada ao lado de Samuel, sem ligar. Os dois lobos quase se matavam, e ela só fechava os olhos, assustada. Aí, quando finalmente ela teve sua chance de lutar com Brandon Cohen, ela levantou-se e cumprimentou-o com um aceno de cabeça. Sei que parece que sua ancestral era uma sem coração, mas a história não termina assim.”
A cena toda se passou por minha cabeça. Imaginei minha ancestral lutando com um lobo negro dez vezes maior que ela. Imaginei ela dilacerando-o em várias partes. Imaginei ela saltitante, feliz pela vitória, e sendo nomeada a nova alfa. Mas como nunca presenciara uma celebração para escolher um novo líder, imaginei absurdos. Anne riu, creio que da minha imaginação fértil, e eu mudei de pensamentos.
“Continue.”
“Obrigada. Bem, Sara disse à seu rival para esperar um dia, pois ele poderia estar exausto. Ele aceitou e foi descansar. Enquanto isso, Sara treinava por horas para derrotá-lo. Acho que já imagina o final.”
“Ela venceu?”
“Venceu, mas por outros motivos. Infelizmente, Brandon foi encontrado morto enquanto Sara e Samuel treinavam. Como não havia mais nenhum candidato, Sara foi nomeada a alfa.”
“Uau! E ninguém achou que ela fosse culpada por matar Brandon?”
“Sim, mas descobriram que ele tinha sido envenenado por Nicholas durante as refeições que antecederam as batalhas. Você sabe, o veneno tem um efeito retardado em nosso organismo. Diferente dos humanos, nossa morte é lenta.”
“Mas e o motivo da guerra?”
“Ah, é! Bem, Nicholas era francês, então seu herdeiro é o atual alfa da França, Dean Howe. E Brandon era oriental. Seu herdeiro deve estar furioso. Aí resolveu guerriar.”
“Mas depois de tanto tempo?” questionei, confusa.
“As gerações estão aumentando, então muitos lobos só descobrem seu passado agora. Antigamente, todos os povos eram ligados por um alfa só.”
“Samuel Stanley.”
“Nesse caso, sim.”
Ao avistarmos Mason, paramos de pensar nisso. Embora ele devesse saber sobre isso, pois podia captar isso em nossa mente. Juntos, corremos como uma pequena matilha. Eu era a alfa, Mase o segundo e Anne a terceira. A sensação que me tomou era de familiaridade. Isso estava no meu sangue. Obrigada, Sara Johnson! Agora serei uma droga de alfa!
Ouvimos outro uivo e nos entreolhamos, surpresos. Uivei de volta, de modo que Paul soubesse nossa localização.
“E então... A guerra vai acontecer mesmo, não é?”
“É...” Anne ganiu.
“Bom, e quais são as estratégias de batalha?”
“Não sabemos, Mase. Paul ainda vai dizer, lembra?” tentei soar séria.
“Johnson está levando uma mala? UAU! Quantos séculos você vai ficar fora?” ele riu.
“Muito engraçado, Stanley! Só não bato em você porque tenho pena!”
“Ah, claro! Tenho certeza de que não me bate porque está apaixonada por mim!”
“Mase, você vai deixar Anne constrangida e...”
Mase não me deixou terminar. Partiu para cima de mim e me lambeu na cara. Seu focinho tocou no meu, como em um beijo. Pude ver o sorriso em seus olhos. Arfei e continuei a correr.
“Você joga sujo, Stanley!” rosnei.
“Ora essa, princesa!” ele ria, zombando de mim, provavelmente “É só um beijo!” aproximou-se de mim e ganiu. Ele parecia se divertir “Nunca ouviu que no amor e na guerra vale tudo?”

Lobos - Sete

Chegamos em torno de duas horas depois à cabana de Paul. Ele sorriu ao me ver e cumprimentou Mason com um aceno de cabeça, mas Mase fez uma careta.
– Kyla, Mason. Sentem-se.
Nós obedecemos e Mason e eu nos entreolhamos.
– Quero que orientem uma loba nova. Ela se chama Anne.
Mason quase pulou no pescoço dele e o matou, mas eu segurei sua mão.
– Deixe-me ver se eu entendi. Você. Nos. Chamou. Aqui. Agora. Para. Isso?
– Sim. Algum problema?
– Nenhum. – Mason mentiu, rosnando. Ele se controlava para não atacar.
– E quem é a garota? – disse eu, para aliviar a tensão entre os dois.
– Oh, sim! Ahn, entre Anne.
Uma garota minúscula, porém bonita, entrou na cabana, sorrindo. Os cabelos ruivos caíam em seus ombros, deixando-a com aparência bastante frágil. Julguei, pela cor de seus cabelos, que ela era uma loba castanho-avermelhada.
– Oi. – sorri – Eu sou Kyla.
– Anne. – ela apertou minha mão.
– Mason. – ele sorriu e piscou – Às suas ordens.
– Obrigada. – ela ruborizou. Senti uma ponta de ciúmes.
– Acho que está em boas mãos, Anne. – Paul sorriu – Vocês três podem ir para casa agora. Kyla?
– Sim, alfa?
– Gostaria de conversar com você, se não se importa, à sós.
– Estou às suas ordens.
Mason e Anne nos deixaram à sós. Paul beijou minha testa (graças à Deus!) e eu olhei em seus olhos.
– O quê foi?
– Precisamos conversar sobre... O seu potencial para ser... Alfa.
– Você sabe que eu não quero isso, Paul.
Eu disse isso como se conversasse com meu pai. Ele inclinou-se para frente e beijou-me (cumprimentou-me) de leve nos lábios.
– Kyla... Você tem mais potencial para isso do que pensa e... Acho... Não, tenho certeza, de que será uma perfeita líder.
– Eu preciso ir.
Afastar-me dele foi a melhor coisa que já fiz. Sem o contato físico, perdi (quase toda a atração física por ele. Mason e Anne me esperavam perto do rio e eu acenei para eles.
– Vamos nadar, Johnson? –Mason sorriu, me provocando.
– Mas é claro! – respondi no mesmo tom que ele me provocara – Quando?
– Ora essa, agora! Vamos, Johnson! – ele se aproximou mais de meu rosto e sussurrou em meu ouvido, mordendo minha orelha – Estou louco para te ver de biquíni. Ou, como é o caso, roupas íntimas.
Ele manteve o sorriso malicioso no rosto, o que me fez ter um certo desejo. Anne nos olhou por um momento e, depois de uns segundos, ela foi comer umas frutas. (deve ter percebido que havia um certo desejo entre Mason e eu e ela devia cair fora)
Mason e eu nos entreolhamos e ele tirou o sorriso do rosto. Antes de entrar na água, ele fez um gesto para que eu o seguisse. Pulou na água e eu ri. Tirei a baby-look e o jeans desgastado e entrei na água. Mason me puxou para baixo e eu afundei na água com ele. Quando voltamos à superfície, ele me sufocou com seus beijos urgentes. Agarrei-me à seu corpo e mordi sua orelha.
– Quer dizer que agora você não quer mais Anne? – provoquei.
– Você sabe que é muito melhor do que ela, princesa. E, aliás, não devia ficar com ciúmes. Se você pode ter gracinhas com Paul, por que eu não posso ter amigas?
– Eu não tenho gracinhas com Paul! – tentei me defender.
– Ah, não? E o quê ele disse para você, hein?
– Mason, nós estamos tendo mesmo essa briga de casal? – eu ri.
– Eu acho que estamos. – ele sorriu – Nós somos um casal?
– Não sei. – entrelacei meus dedos nos dele e o beijei outra vez. Ele ria, entre beijos, e isto me fazia desejá-lo cada vez mais. Como ele podia fazer isso comigo? – Você quer que sejamos?
– Não seria má idéia, sabe, Johnson? – ele disse, me olhando nos olhos – Você me excita. – seus olhos ficaram negros de desejo.
Mase voltou a me beijar de novo; suas mãos tateavam meu corpo, parando em meu peito. Sufoquei um gemido e continuei a beijá-lo, agarrando-me à ele.
– Ei, posso te contar um segredo? – ele disse, entre beijos, num tom brincalhão – Hein?
– Fale logo, Stanley. – disse eu, rindo, sem querer me afastar dele.
– Eu estou apaixonado por você, Johnson. – ele disse, num tom sério – Sem contar que você me deixa... Louco de desejo. UGH! – ele gemeu, rindo, e uivou, inclinando a cabeça para trás.
Suas palavras me pegaram de surpresa. Fiquei de boca aberta e ele riu.
– Três pontos para Stanley, um para Johnson! Whoo-hoo!
Soquei seu ombro e ele uivou.
– É por isso e muito mais que te amo, princesa.
Mason colou nossas bocas outra vez e eu senti que realmente o amava. Não importava o que eu sentisse por Paul. Era só uma atração física. Mason me deixava... Mais selvagem. E não era só a parte humana. Meu lado animal o queria também.
– Eu acho melhor a gente ir para casa, Mase. Ou eu vou me ferrar mais.
– Está bem. Vamos.
Não conseguia fazer meu corpo se mexer. Eu precisava sair dali e me vestir, mas meu corpo não obedecia nenhuma ordem minha. Só pude me concentrar em algo quando Mason saiu da água e, num salto, se transformou no lobo cor de chocolate. Seus olhos me lançavam olhares de desejo e eu corei. Saí da água e me vesti, me transformando logo em seguida. Anne pulou de uma arvore (Deus! Será que ela me vira com Mason?) e se transformou também, comprovando minha teoria sobre a cor de seu pelo. Começamos, então, a correr para casa.
“Onde nós vamos?” questionou Anne.
“Bom, eu vou para casa. E você?”
“Não sei. Preciso encontrar um lar.”
“Você pode ficar na minha casa.”
“Obrigada, Kyla.”
“E então...” Mason por fim disse “O quê Paul e você conversavam?”
“Nada de mais.” recordei-me sobre nossa conversa e nem percebi que Mason e Anne leriam meus pensamentos.
“Ser alfa? Uau! Princesa, eu sempre soube que você era especial!” Mase uivou, brincalhão.
“Nem tanto, Mase. E ainda não acredito que fui chamada aqui para isso.” suspirei.
“Nem eu...” uma imagem se passou pela cabeça dele. Mason rosnava e sufocava Paul, de raiva.
“Não exagere. Paul não queria assustar vocês sobre a guerra.”
“Guerra?” Mason e eu paramos de correr bruscamente e quase fomos lançados para uma árvore. “Que guerra, Anne?”
“Bem,” ela também parou de correr “não sei muito sobre isso, mas me parece que alguns lobos orientais querem desafiar nós, lobos da América. Paul tenta evitar a luta, mas não sabe como. Aí chamou uns amigos da Inglaterra e França. Você sabe, a maioria dos lobos da matilha são brasileiros ou argentinos.”
“Os lobos orientais?” imaginei vários lobos, que em sua forma humana tinham os olhos rasgados, nos desafiando para um combate. Aí imaginei a gente dilacerando eles. É, fazia tempo que não havia alguma ação.
“Johnson, não exagere!” Mason riu com minhas idéias.
“Desculpe. Mas um pouco de ação não faz mal à ninguém.”
“Você é diferente das outras garotas que conheci. Você gosta de ação!”
“Isso é bom ou ruim?” questionei, curiosa. Mason podia me surpreender.
“Bom. Isso é bom. Me... Excita.” ele provocou.
Anne pareceu meio desconfortável com nossa conversa. Ela estava no meio do, digamos, Clark Kent e da Lois Lane. (comparação absurda, eu sei) Mas, de qualquer jeito, ela estava no meio de um casal e isso não é tão agradável. Resolvi, então, voltar a correr. Ela e Mason me seguiram.
“O quê mais você sabe?” questionei, mudando de assunto.
“Infelizmente, mais nada. Só sei que Paul quer escolher um novo alfa, pois ele não sabe se vai resistir à guerra.”
“Nós temos que ajudá-lo!” disse eu, preocupada. “Paul não pode lutar sozinho.”
“E não vai. Ele vai esperar um tempo e convocar os outros lobos.” respondeu Anne.
“O quê quer dizer outro dia de aula perdido...” suspirei.

Quando chegamos em minha casa, Mason me deu um beijo rápido e correu para sua casa – ainda sob a forma humana. Disse à minha família que Anne era uma amiga que ficaria conosco por um tempo porque seus pais estavam viajando. Ela e Josh logo ficaram amigos – creio que a faixa etária deles eram as mesmas.
– Kyla, finalmente você me apresenta uma amiga sua legal. – sussurrou Josh em meu ouvido.
– O quê houve com sua paixonite por Katheryn?
– Ahn, nada. – corou ele – Ah, me deixa em paz!
Gargalhei e fui me deitar, exausta. O dia passara em uma velocidade absurda. Anne dormiria no quarto de minha tia e parecera conquistar o coração de todos.
Antes de dormir, imagens sobre a tal guerra me vieram à mente. Pensei sobre aquilo durante boa parte de meu dia. Eu devia me preparar para a tal guerra e logo.

Lobos - Seis

Paramos de correr em algum lugar próximo à Vancouver. Mason me ofereceu um sorvete e eu aceitei. Tomamos nossa forma humana e caminhamos até a sorveteria.
– Precisa de uma foto minha.
– Ahn?
– Para o seu celular. Nos contatos, entende?
– Ahn, claro.
Peguei o celular e tirei uma foto de Mase tomando seu sorvete. Adicionei-a ao número dele e salvei.
– Ei! De preferência, me avise quando for tirar!
– Desculpe, Mase. – sorri, sedutora – Ei, isso me lembra...
– Sim?
– Uma amiga quer saber se você não teria um amigo sexy como você para apresentar-lhe.
– Sexy como eu? Whoo-hoo! – ele riu – Johnson me acha sexy! Exclusivo! Kyla Johnson admite achar Mason Stanley sexy! – ele fez voz de repórter.
Soquei o ombro dele de leve e tomei meu sorvete. Ele riu e tirou uma foto minha. Lancei-lhe meu olhar zangado e ele riu.
– É para o contato. E, respondendo à sua pergunta, tenho sim uns amigos aí. Posso apresentar à sua amiga.
– Legal. Vá à minha escola segunda-feira.
– Hum... Feito.
Afaguei sua mão de leve, fazendo ele sorrir. Era difícil dizer-lhe que parte de mim estava gostando dele. Mason aproximou o rosto do meu e tocou meus lábios de leve. Seus lábios tinham gosto de morango dessa vez.
– Ei, Mase. – um pigarreio – Então essa é a famosa Kyla?
Virei o rosto para trás e vi um garoto da altura de Mason e com pele e cabelos da mesma cor. Mason bufou.
– Ei, Andrew! Esta é Kyla. Kyla, este é Andrew.
– Oi. – ele apertou minha mão – Bom te conhecer. Mase disse que você era a garota dele.
Olhei para Mason, incrédula. Ele corou de leve e rosnou para Andrew.
– Eu já disse que você devia se calar?
– Relaxa, Mason. Aposto que Kyla já devia saber que você falava que ela era sua garota. – Andrew riu, piscando para mim.
– É, Mase. Relaxa. – disse eu, sorrindo.
– Andrew, o que faz em Vancouver?
– Vim comprar umas coisas pra minha mãe. Ela está na casa do novo namorado.
– Argh! – Mase fez uma careta – É o tal Christian, não é?
– É. Mas de boa, Mase. Já me acostumei. Eu preciso ir. Foi bom te conhecer, Kyla.
– O mesmo, Andrew. – olhei de canto de olho para Mason. Ele sorriu e assoviou.
– Andrew? Espere aí.
– Diga, Mason.
– Kyla tem uma amiga que quer conhecer você. Que tal?
– Whoo-hoo! Agora a gente está falando a mesma língua! Onde e quando?
– Segunda, passe em casa que eu te levo. Pode ser?
– Epa! Onde tem uma gatinha, eu estou dentro. Até lá, Mason.
– Até, Andrew.
Andrew correu para um carro – para ser mais exata, um Audi – prata e acenou para nós antes de entrar no carro e sumir. Olhei para Mason (ele ainda olhava para frente) e sussurrei:
– Ele sabe?
– Não. – ele entendeu sobre o quê eu falava – Não há ninguém que saiba. Nem mesmo meus pais. Não é... Seguro contar, entende? Mesmo assim, me sinto mal por esconder isso das pessoas que amo.
– Eu sinto o mesmo. – suspirei – Sabe, Mase? A única que sabe é minha avó. E você.
– Fico feliz que confie em mim para contar isso. – ele sorriu, um sorriso largo e sedutor – Apesar de não ter como esconder isso de mim.
Nós rimos e eu adorei o som de sua risada. Era tão alegre e melodiosa... Mason aproximou o rosto do meu e senti seu hálito doce em minhas bochechas.
– Ahn, com licença, garoto? São vinte dólares.
Mason bufou, afastando-se de mim, e pagou para o homem da sorveteria.
– Acho melhor eu voltar. – sussurrei.
– Tudo bem, vamos, Kyla.
Esperamos a sorveteria estar invisível à nossos olhos para nos transformarmos e corrermos de volta para minha casa. Mason foi o que se transformou primeiro. Ri quando o lobo cor de chocolate colocou o focinho em minha perna e uivei – ainda sob a forma humana – antes de trocar o corpo de uma adolescente por o de uma loba adulta.
“Eu não vou deixar você ganhar dessa vez, princesa!” alertou ele.
“Há! É o que veremos! Você sabe que eu sou mais rápida!”
“Talvez seja.” ele lambeu meu rosto e correu.
“Ora, seu...” rosnei, uivando, e corri loucamente atrás dele “Volte aqui, Mason!”
“Já era, Johnson! Eu disse que ia ganhar!”

Quando chegamos em casa, voltamos à forma humana e ofegamos, cansados. Mason ganhara de mim por um descuido meu: eu parei para beber água.
– Argh! – arfei – Dessa vez, você venceu.
– Whoo-hoo! Um para Johnson, dois para Stanley!
– Como assim, dois?
– Essa valeu por duas, admita!
– Está bem, eu deixo. Odeio ver homens chorarem!
– Você está com um ótimo senso de humor hoje, princesa. – ele aproximou-se de meu ouvido – É bom ver que ensinei algo à você.
Não pude deixar de estremecer quando ele mordeu minha orelha. Agarrei-me à seu corpo e ele riu.
– Precisa resistir aos desejos de seu corpo, Kyla Johnson. – ele beijou meu rosto.
– Calado! – ordenei, rindo – Eu sei o que estou fazendo, está bem?
– Se você está dizendo... – ele separou-se de mim e sorriu – Te vejo segunda.
– Mas eu nem te disse onde estudo.
– Achei sua casa, não? Será fácil achar sua escola. O destino me guia. Agora preciso ir. Até mais, princesa.
Mason beijou minha mão e correu para sua casa. Sorri para suas costas e entrei em casa. Pode-se dizer que o ambiente estava meio tenso. Josh e tia Linda me lançaram olhares do tipo “você está encrencada, senhorita!” e vovó sorriu ao me ver.
– Kyla, querida! Que bom que chegou! – ela veio me abraçar e sussurrou – Você ouviu o chamado?
– É. – menti – Foi isso. Mas está tudo bem. Se importa se eu for me deitar? Tive um dia cansativo.
– Claro, meu bem. Pode ir.
– Obrigada, vó.

Na segunda-feira, meu corpo acordou mais excitado do que nunca de madrugada. (tudo culpa da droga dos hormônios!) Levantei-me da cama e fui até a cozinha beber água. Meu corpo estava tão quente como quando eu me transformava. Tomei uma garrafa inteira de água e mesmo assim continuei quente.
Eu não podia me transformar. Isso só pioraria tudo. Meu corpo continuaria pegando fogo e eu ia passar mal depois, pois teria de caçar (e isso significa ter que vomitar depois o que comi) e só de pensar nessa hipótese, me dava enjôo. Fui, então, para o banheiro e me despi. Fechei a porta e abri o chuveiro. A água gelada não teve efeito algum em meu corpo quente (acho até que ela começou a evaporar quando entrou em contato com meu corpo) Desliguei o chuveiro e me sequei. Enrolada na toalha, voltei para meu quarto e coloquei um pijama curto.
Deitei de novo na cama e tentei dormir. Mas isso não aconteceu. Olhei no relógio. Eram quatro da manhã. Eu ainda tinha quatro horas para dormir. O quê fazer?
Pensei em ligar para Kate, mas ela me mataria por acordá-la. “Eu poderia ligar para Mason. Ele saberá o quê fazer. E não me matará por acordá-lo, certo?” concluí, pegando meu celular e discando o número de Mason. A foto dele tomando sorvete apareceu na tela e eu sorri. Levei o telefone ao ouvido.
– Bom dia, Johnson! Ou devo dizer boa noite?
– Oi Mase. Preciso de sua ajuda.
– São os hormônios, princesa?
– Sim. O quê faço? Não consigo dormir.
– Nem eu, princesa. Mas não posso sair de casa agora. Paul poderia ajudar, mas não sei como falar com ele. Você não tem algo mais... Divertido para fazer enquanto isso?
– Se eu fugisse para a escola, estarei de castigo, então não. – mordi o lábio.
– Eu nunca ouvi isso. – ele riu – Geralmente, as pessoas não ficam de castigo por fugir da escola e não para ela?
– Só as pessoas normais.
– Oh, é! Esqueci que você não é normal! – ele riu de novo.
– Obrigada. – bufei.
– Não se preocupe. As melhores pessoas são anormais.
– Agora só falta você me dizer que as garotas inteligentes são burras!
– Também. – ele gargalhou – Seu senso de humor está melhor, Johnson. É a convivência comigo?
– Pois é, Stanley! – zombei – Você é meu mau caminho.
– Epa! Eu adoro quando você fala desse jeito! Ahn, só um minuto, princesa. Minha mãe acordou.
– Ta. – mordi o lábio inferior.
Ouvi uns sussurros do outro lado da linha e reprimi o riso. Não queria que Josh acordasse loucamente por meus ataques de riso. Enquanto esperava a voz de Mason voltar, considerei algumas possibilidades sobre o ataque desesperado de hormônios e tudo mais.
Primeira: o alfa precisava de nós e esse era um meio de chamar nossa atenção. Ele poderia uivar ao vento e ouviríamos. Aí me recordei que Mason e eu uivamos ontem e isso podia ser um alerta para o alfa ver o que se passava.
Segunda: a presença de outro lobo me excitara. Um lobo novo, talvez. Lobos provocam a agitação dos hormônios em outro lobo. (independentemente do sexo entre eles) Quando pensei nisso, tive de ignorar meu coração que acreditava que Paul era esse lobo que estava próximo.
Terceira: eu passara boa parte do dia anterior com Mason e isto poderia ter nos excitado. Talvez o fato de eu ligar para ele piorara. Sua voz poderia ter provocado outro ataque de hormônios. E aí percebi que Mason podia me excitar. Mais até do que estar na frente de Paul.
Quando finalmente a voz de Mason retornou, eu quase tive um ataque cardíaco. Não só por sua voz me excitar, mas também porque eu estava absorta em pensamentos.
– Princesa, preciso desligar. Adoraria conversar com você, mas não dá.
– Tudo bem. Tchau, Mase.
– Até mais, Johnson.

Kate balançou os braços várias vezes para atrair minha atenção. Pisquei várias vezes e fitei-a.
– O quê disse?
– Quando? Agora ou há duas horas? – repreendeu ela.
– Desculpe, Kate. Dormi mal hoje. Aliás, nem dormi.
– Tudo bem. Acho que te perdôo. Até porque foi impossível dormir hoje.
– Você também?
– É. Ouvi uns latidos e...
Katheryn parou de falar quando seus olhos captaram Mason e Andrew vindo em nossa direção. Ambos sem camisa. Mase mantinha o largo sorriso no rosto.
– Aquele é... – gaguejou ela.
– Sim. – disse, sabendo do que Kate dizia.
Mason e Andrew caminhavam em câmera lenta. Nem preciso dizer que meu corpo se excitou. Sorri para ele e, quando ele se aproximou, ele riu e disse:
– Oi Johnson.
– E aí, Mase?
Ele pegou meu rosto com as mãos e estava prestes a me beijar, mas Andrew pigarreou.
– Ahn, Kate, este é Andrew. – disse eu, quase ruborizando.
– Oi. – disse ela, sorrindo para ele.
Mason ia fazer um comentário, mas ouvimos – apenas nós dois – o uivo do alfa ao vento. Nos entreolhamos e virei-me para Kate.
– Ahn, eu te vejo depois. Preciso ir.
– Eu também. –disse Mason – Johnson e eu temos que resolver uns negócios.
– Ei, comprem camisinha! – alertou Andrew, mas Mason ignorou-o.
Corremos para a saída da escola e Mason pulou o portão. Ri de leve e segui-o.
– Eu estou ferrada por perder a sexta aula.
– Tudo bem. Paul escolheu uma péssima hora.
Nos transformamos em uma questão de segundos e eu uivei, avisando que estávamos a caminho. (minha avó provavelmente entenderia) Perguntei-me se as pessoas não achariam estranho dois lobos correndo por aí.
“Parece ansiosa. Quer dizer, parece louca para encontrar o resto da matilha.”
“Impressão sua, Mase!”
“Sabe, não tenho direito de me intrometer, princesa. Mas... Sei lá. Me preocupo com você.”
“Tudo bem, Mase. Só quero que os hormônios se acalmem.”
“Eu também, Kyla...”