A transformação - parte dois
Fazia pouco tempo que Edward me prometera a imortalidade. As aulas iam terminar e Alice quis comprar sua "roupa de fim das aulas".
- Vai ser legal! - disse ela - Você vai ver. Rose disse que ia nos encontrar lá e que ia ser divertido. Então vai ser demais! Porque, você sabe, diverito pra Rose é algo divertido mesmo.
Alice continuou tagarelando enquanto caminhávamos para o shopping. Sei lá, eu queria deixá-la feliz. Liguei meu MP4 e continuei andando. Ao som de "Poker Face" eu observava as pessoas comendo e experimentando roupas. "O privilégio de ser uma Cullen, além da beleza, são as roupas" me dissera Alice, certa vez. Me perdi em pensamentos e nem notei Alice parada com as mãos na cintura, me encarando.
- Mayla, você está me ouvindo? - disse, nervosa.
- Sim. - menti - Isto é, não. - bufei.
- Eu sabia!
- Me desculpe, Alice! É que...
- Vocês duas! - gritou Rosalie, sorrindo - Andem logo!
Corremos até ela - Alice correu com tanta elegância e eu, claro, tropeçando em meus próprios pés - e Rosalie me abraçou. Fomos direto para as roupas femininas e elas experimentaram umas trinta peças. Sentei-me no chão e disse minha opinião para cada roupa.
- Esse será seu presente de aniversário!
Alice me deu um vestido lilás na altura dos joelhos e para minha surpresa eu gostei.
- Vi ele na minha visão. - disse ela - Faltam três dias, lembra? 15 anos, fim das aulas, ai, ai... - ela suspirou.
Levantei-me e fiquei em frente ao espelho. Tirei os fones de ouvido, o moletom branco da Juicy e a calça jeans. O vestido se moldou em meu corpo perfeitamente e vi Alice sorrir atrás de mim. "Agora eu entendo porque ela adora vestidos" pensei.
- Ficou lindo! - ela bateu palmas e pulou. Eu estava um centímetro mais alta que ela.
- Perfeita, Alice. - corrigiu Rose, revirando os olhos - Ela está perfeita. E não como aquela sem graça da Bella.
Ela disse o nome dela com nojo e vi que Alice ficou magoada. Abracei-a enquanto ela segurava as lágrimas que não poderiam cair. Rose desculpou-se e se juntou à nosso abraço.
- Desculpe, Alice. - repetiu ela - Eu me esqueci...
- Tudo bem, Rose. Eu...
E a expressão dela mudou. Ficou vazia, tensa, surpresa, desfocada e... "Ai, meu Deus!" percebi a visão que viria. Rose também notou e, numa velocidade sobrenatural, nos tirou dali. Nem me importei de não pagar o vestido. Alice segurava minha calça e meu moletom nas mãos. Meu MP4 estava em seu bolso e eu me lembrei de que tinha de devolver o colar de Rosalie - não sei por que pensei nisso.
- Precisamos chegar até Edward. - disse Alice, em pânico.
Sentada na poltrona de Carlisle, ao lado de Rose que permaneceu em pé o tempo todo, esperei por Alice e Edward.
- Faz mais de meia hora. - Carlisle disse - Acho que devemos entrar no quarto dela.
- Não. - disse Rose - Espere. Ela já está vindo. Deve ser só outra visão normal e...
- Mayla. - Edward chamou, entrando na sala - Alice quer vê-la.
Levantei-me depressa e acompanhei-o até o quarto de Alice. Edward tinha o olhar triste e me aproximei dele. Ele me abraçou tão forte que quase me quebrou, mas sussurrou:
- Eu amo você. E te quero a meu lado por toda eternidade.
- Por que está dizendo isso? Não que eu não queira ouvir, mas...
- Entre. - ordenou ele, me interrompendo.
- Edward, tudo bem?
- Depois conversamos. - prometeu ele.
Entrei no quarto de Alice e a vi meditando em sua cama. Ao me ver, correu para me abraçar e chorou - um choro silencioso; o choro de um vampiro. Sussurrou várias vezes meu nome e fechou a porta. Me sentei ao seu lado e ela suspirou. Parecia sério.
- Eu tive duas visões. Com você. As duas aconteciam em seu aniversário. E não eram boas. A primeira era até que legal. Você, Rose e eu andávamos de carro pela cidade. Você era como nós. Sentiu um cheiro estranho e saltou pela janela. Bella bateu o carro e você ia salvá-la, mas Edward chegou antes. Ele a tirou da multidão e a levou para seu marido, Jacob. Depois sorriu para você e foi à seu encontro. Vocês dois saíram de mãos dadas e a visão acabou.
Alice respirou fundo e forçou um sorriso. Continuou o relato da visão.
- E a segunda foi horrível. Mayla, eu realmente te amo como uma irmã e farei de tudo para ela não acontecer. O começo era igual. Estávamos no carro, mas você era humana. Eu me virei para te desejar feliz aniversário e o carro bateu com o de um colega seu. Ele ficou bem, mas você... Você... Você estava... - ela soluçou - Morta. Eu te vi morrer e...
Alice caiu em meus braços, chorando. Abracei-a com todo carinho do mundo e disse que tudo ia ficar bem, mas eu estava com medo.
- Eu juro que não vai acontecer! Eu...
- Tudo bem, Alice. Confio em você.
- Tem certeza de que está bem?
- Sim. Vou ficar bem. Te vejo amanhã?
- Não. Vou ficar com você. Não quero te perder.
Subimos para meu quarto e eu me deitei na cama após vestir o pijama. Edward ficou ao meu lado e me cobriu com mantas.
- Um dia elas não serão necessárias.
- Um dia. - ele sorriu.
Três dias depois acordei com o medo em meu coração.
Era 23 de julho, mais conhecido como meu aniversário. Meus pais ligaram para me desejar felicidades e avisar sua mudança para a França. Após falar com eles, fui para escola. Alice e Rose me esperavam.
- Parabéns, Mayla! - disseram elas, me abraçando.
- É hoje. - sussurrei, apavorada.
- Não vai acontecer. - prometeu ela.
- Estou com medo, Alice. - solucei.
Ela me abraçou, afagando meus cabelos. Chorei em seu ombro até o medo passar.
- Vamos até Edward. - disse Rosalie - Será melhor.
Concordamos com a cabeça e fomos para o carro de Rose. Ela disse que ia dirigir, para mudar a visão. Alice foi atrás comigo e segurava meus pulsos, assustada.
- Esse não será seu último aniversário.
Alice pareceu acreditar no que dizia. Virou de lado para sorrir para mim e não viu o ônibus escolar que vinha em nossa direção. O carro se chocou com ele e eu bati a cabeça com força. Ainda estava consciente quando Rose nos tirou do carro. Alice gritava desesperada por ajuda e Rose me carregava nos braços. Chegamos à mansão dos Cullen em menos de dois minutos e passamos por Edward.
"A minha cabeça está latejando!" quis gritar, mas não encontrei forças. Edward me viu e começou a entrar em desespero. A dor aguda em meu crânio aumentava.
- Carlisle! - ele gritou - Ajude-nos!
O sangue escorria por meu pescoço e manchou minha blusa. Fui colocada em uma maca. Carlisle sentou-se ao meu lado e ligou os aparelhos. Não entendi nada. Ele ia me ressussitar? Eu estava morta? Parecia bem viva.
- Mayla.
Edward choramingou, afundando o rosto em meu peito. Esforcei-me para levar a mão até seu rosto e afagá-lo. Ele levantou o rosto e pude ver a agonia em seus olhos.
- Eu te amo. - murmurei, cheia de dores.
- Eu te amo. - repetiu ele - Não vá. Por favor, fique comigo.
Forcei um sorriso e fechei os olhos à espera de minha morte. Ia doer mais por deixar o grande amor de minha vida. Eu o amava mais que tudo e não suportaria perdê-lo. Senti as batidas do coração diminuírem e a escuridão dominar minha visão.
- Não! - gritou Edward.
Senti uma dor profunda em meu pescoço. Gritei, me contorcendo de dor. O veneno correu por minhas veias e a dor aumentou. As batidas de meu coração iam diminuindo. "Eu vou morrer" pensei.
- Carlisle! Ela está morrendo!
A voz de Esme percorreu a sala e me fez sentir um aperto no coração. Ia sentir falta dela. Não sabia como era a vida após a morte. Se sobrevivesse, ia abraçá-la mais vezes.
Meu coração parou de bater e ouvi o barulho do aparelho de Carlisle. Ouvi o "não" de Edward e senti seus braços me envolvendo. Seu corpo se colou no meu e senti cheiro de sangue. Era minha blusa. Minha cabeça não latejava mais, meu corpo caiu nos braços de Edward. Eu morri?
Abro os olhos não sei quantos dias depois. Vejo tudo muito claro. As cores são mais fortes e os cheiros mais profundos. O rosto de Edward é a primeira coisa que vejo. Ele sorri, meio aflito e... Puxa vida! Nunca notei em como seu rosto é perfeito. Não consigo explicar em palavras.
- Edward?
Ele me abraça fortemente e eu retribuo. Sinto seu cheiro e respiro. "Ah...."
- Quase nos mata de susto!
Esme sorri e me entrega o jornal. Olho a primeira página.
ADOLESCENTE MORRE NO DIA DE SEU ANIVERSÁRIO
Engulo em seco e olho para minha família, os que mais amo no mundo. Ao ver minha foto, entro em choque.
- Eu... Eu morri?
Nem percebo que minha voz parece uma melodia. Minhas mãos estão trêmulas e a respiração ofegante.
- Mayla Marques morreu. - disse Edward - E Mayla Cullen nasce hoje.
Ele pegou minha mão e a levou ao peito. Abracei-o com toda minha força e disse o quanto o amava. Em seguida corro até Esme e Alice e as abraço. Carlisle e Jasper riem.
- Acho que você e Edward precisam de um tempo à sós.
Todos sairam do quarto e Edward me abraçou outra vez.
- Dormiu por uma semana. Achei que fosse te perder, mas Alice me disse que estava viva. Ou quase.
- Eu amo você!
- Como eu amo você!
E assim começamos nossa eternidade...
FIIM!