Eu achava impossível.
Realmente parecia impossível conhecê-la pessoalmente até que a conheci. Emoção maior não teve naquele momento. E tudo graças a Laryanne. Pela segunda vez, eu a vi e parecia que o tempo parara...
Lá estava eu, em casa, em uma noite normal - tirando o fato de que meus pais saíram e me deixaram à sós com meu irmão caçula - assistindo TV. O telefone tocou e eu - é claro, sem desconfiar de nada - atendi ao segundo toque. "Número desconhecido" pensei.
- Alô?
- Ai, meu Deus! É da sua casa mesmo, Mayla?
- Perdão, quem fala?
- É a Lary, amiga da Leêh! Lembra?
- Ah! Claro, claro! Tudo bem?
- Sim, sim! Está! Melhor, vai ficar melhor! Preciso da sua ajuda.
- Claro. O que tenho que fazer?
- É sobre a Leêh. Preciso que faça isso!
- Qualquer coisa!
- Bom, nossa formatura será semana que vem e eu não mandei TODOS os ingressos e pensei que talvez...
- Já entendi! Uma surpresa para ela? Legal. Gostei.
- Isso. Você é a única que poderia me ajudar, quer dizer, eu acho.
- Sem problemas. Conte comigo.
Peguei o primeiro avião um dia antes da formatura. Cheguei por volta das 19 horas e Lary estava lá no aeroporto. Me recebeu muito bem em sua casa.
- Obrigada por vir. É muito importante para ela.
- Eu sei! É a segunda vez que faço isso, basicamente.
Nós duas rimos. Me lembrei da primeira vez que a visitara. Uma ideia que surgiu do nada e aconteceu. Sua mãe não foi muito boa em disfarçar, mas deu tudo certo. Ela se surpreendeu ao me ver parada em sua casa depois de voltar de um trabalho. Ri com a lembrança e Lary balançou a mão para me despertar.
- Ah, perdão.
- Tudo bem.
Uma batida na porta. Meu coração se acelerou e Lary sussurrou um "Ops". Se levantou e disse para mim me esconder.
- É ela. - avisou-me.
Corri rapidamente para o quarto dela - uma opção não muito boa - e me escondi debaixo de sua cama. Tropecei em alguma coisa e segurei o grito.
- Oi Leêh. Entra. Não esperava te ver aqui.
- Como não? Combinamos que íamos ao shopping.
- Ah, é! Claro! Como pude me esquecer! - ela disse, confusa. Parecia mesmo que tinha esquecido.
- Vamos?
- Claro.
- Antes, quero beber um copo de água. Acha que minha mãe vai achar perigoso ir a essa hora? Quer dizer, ela deixou e tudo mais, só que acho que ela não quis fazer isso e... - ela tagarelava e segurei um riso.
- Claro, claro. - Lary assentia e notei que ela também não prestava atenção no que Letícia falava. - E também eu acho que tenho idade para ir. - ela bebeu a água, ia saindo quando algo a puxou para o quarto.
"Droga!" pensei. "Ela vai me ver!"
- Leêh, vamos? - disse Lary, escondendo o pânico.
- Claro.
"Ufa" suspirei. Esperei elas saírem para sair daquele lugar. Estava realmente muito apertado. Saí dali e fui procurar um lugar para ficar sem incomodar ninguém.
- Querida? - disse a mãe de Lary.
- Sim?
- Vou arrumar seu colchão.
- Muito obrigada!
No dia da formatura, acordei com o barulho de algo sendo amassado. Olhei ao meu redor. Era quase 13 horas.
- Meu Deus! - pulei do colchão e corri ao banheiro para me trocar.
- Ah, eu não quis te acordar! - disse Lary, do lado de fora do banheiro.
- Não fez nada de mais. - disse, saindo do banheiro - Acho que amassei alguma coisa.
- Era seu convite. - ela riu - Sem problemas. Damos um jeito.
- Espero. Acha que ela vai descobrir antes da hora?
- Não. Ela falou muito em você ontem, mas nem desconfia. - ela deu de ombros.
- Perfeito!
A noite chegou depressa e eu mal tinha me arrumado. Me sentia muito inferior à Lary - que estava deslumbrante, cá entre nós - e tinha certeza de que seria a mais feia da festa.
- Bobagem. - disse Lary quando comentei isso com ela - Lembre-se: fique atrás de todos.
- Claro. Sei fazer isso.
- Perfeito. Ah, chegamos. Vem.
Tentei ao máximo ficar invisível - coisa fácil com toda aquela gente. Me sentia perdida na multidão. "Tudo por você, Leêh!" pensei.
- Letícia! Ai, meu Deus! Está perfeita! - ouvi alguém dizer.
Procurei por ela no meio de tanta gente. Ela cortara o cabelo - fato que não notara na noite anterior. Estava deslumbrante! Sentia muita falta dela e segurei o impulso de correr e abraçá-la. Lary percebeu e riu.
- Calma. Vai dar tudo certo.
Ela estava conversando com as amigas. Sem dúvida, era mais popular do que eu. Queria saber o assunto, mas não podia ouvir. Muito barulho. Por um instante, parecia que só estávamos eu e ela ali. Lary correu para abraçá-la e eu fiquei só. Conversaram por um tempo e seu olhar vasculhou o salão. Quando os olhos dela encontraram os meus, ela caiu no chão de joelhos. Laryanne sorriu, olhou para mim sorrindo, segurou-a pelo cotovelo e disse:
- Calma, Leêh! Sim, é a Mayla! Eu convidei ela! Calma, amor! - um sorriso estampou seu belo rosto.
Letícia se levantou com a ajuda de Laryanne e correu até mim, chorando. Não pude conter as lágrimas que invadiram meus olhos e sorri para ela. A vontade de abraçá-la passou quando meus braços a envolveram num apertado abraço.
- Senti muito a sua falta! Nem imagina o quanto! - sussurrei para ela, chorando.
- Ai, May! - ela soluçou - Cara, nem acredito que fez isso comigo! Mas eu amei!
Lary correu até nós e nos abraçou também. Choramos juntas, nossas alegrias se misturando em cada gota de lágrima que rolava por nossos rostos.
- Eu te amo muito, sabia? - ela disse.
- Eu amo demais! Você é minha melhor amiga, sabia?
- Eu sei.
E assim ficamos por boa parte daquela noite...